Umuarama - O ex-secretário de Ação Social da Prefeitura de Mariluz Élcio Farias foi condenado a 10 anos de prisão por participação nos assassinatos do vice-prefeito Aires Domingues e do presidente local do PPS, Carlos Alberto Carvalho, o Carlinhos Gordo. O julgamento terminou por volta de uma hora da madrugada de ontem no Fórum de Cruzeiro do Oeste.
Os sete jurados rejeitaram a tese da defesa de que Farias desconhecia o plano de assassinato. Aires foi condenando a 15 anos de prisão, mas teve a pena reduzida em um terço por ser réu primário e ter bons antecedentes. A pena terá de ser cumprida em regime fechado. O advogado José Aparecido Borges dos Santos disse ontem que vai recorrer da sentença para reduzir a pena. Ele também quer que seu cliente possa cumprir a pena em regime semi-aberto.
Carlinhos Gordo e Aires foram baleados na noite de 28 de fevereiro de 2001 no escritório do presidente do PPS. Preso em Umuarama, o ex-policial militar José Lucas Gomes é o autor confesso dos tiros. O então prefeito, Padre Adelino Gonçalves (PMDB) é apontado como o mandante da morte de Carlinhos Gordo, que na época estaria levantando denúncias de assédio sexual contra o padre. Gomes teria matado o vice-prefeito porque ele estava com Carlinhos Gordo no escritório. Cassado em setembro do ano passado, o ex-prefeito ficou cinco meses preso em Curitiba, mas conseguiu habeas corpus para responder ao processo em liberdade.
O ex-chefe de divisão de compras da prefeitura Alexsandro do Nascimento também está preso acusado de ajudar a comprar o Monza utilizado no crime. Élcio Farias admitiu ter ido a Maringá com Padre Adelino e Nascimento comprar o carro e tê-lo levado para Gomes em Corumbataí do Sul, onde o ex-policial morava. Mas alega que apenas cumpriu ordens. Farias disse ainda que recebeu ofertas em dinheiro de Padre Adelino e do advogado Cláudio Dalledone Júnior, para assumir a autoria do crime. Ambos negam as acusações.
Gomes e Nascimento recorreram da pronúncia (sentença do juiz determinando que os réus sejam julgados pelo Tribunal de Júri). O Tribunal de Justiça (TJ) deve julgar o recurso até junho. O ex-prefeito de Mariluz conseguiu anular no Superior Tribunal de Justiça (STJ) os depoimentos em juízo de cinco testemunhas de acusação, por terem sido ouvidas sem a presença do réu. As testemunhas serão ouvidas novamente dia 9 de maio, em Cruzeiro do Oeste. O padre, que atualmente mora em Campo Mourão, nega todas as acusações e afirma ter sido vítima de uma armação política. No final do ano, o município realizou eleições para escolher o novo prefeito.

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