Ex-secretário de Barbosa é preso suspeito de 'comprar voto'
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - ligado ao Ministério Público (MP) do Paraná - prendeu em flagrante, por corrupção ativa, o ex-secretário de Governo de Londrina e coordenador da campanha do PDT, Marco Antonio Cito, e o empresário Ludovico Bonato. Segundo o Gaeco, eles teriam assediado o vereador Amauri Cardoso (PSDB) e proposto o pagamento de R$ 80 mil, em três parcelas, para que o tucano passasse a votar de acordo com os interesses da administração municipal, a começar com a votação do pedido de abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic, contra o prefeito Barbosa Neto (PDT). Cardoso teria sido ''convidado'', também, a votar com o Executivo em outros projetos polêmicos, como a manutenção da Lei da Muralha e a remissão de dívidas da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
De acordo com o promotor de Justiça Cláudio Esteves, Cardoso procurou o Gaeco há uma semana, denunciando a suposta proposta criminosa de Cito e Bonato. A partir daí, Esteves disse que passou a acompanhar as negociações que ocorriam entre os acusados e o vereador, que repassava as informações aos promotores. ''Foi possível produzir elementos através de algumas diligências que fizemos, de que a versão dele (Cardoso) era crível.''
Conforme a investigação, o ex-secretário e o empresário tiveram dois encontros com o vereador na segunda-feira para acertar o pagamento. Um destes encontros ocorreu na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde Cardoso faz pós-graduação, e o outro no prédio em que Cito reside. Ficaram acertados, então, que o repasse do dinheiro seria no escritório da Paraná Esportes, na rua Cambará, area central, onde o tucano trabalha no período da manhã. O promotor evitou confirmar a informação que o vereador deu à imprensa de que haveria gravações que comprovariam as participações de Cito e Bonato no pagamento de propina. ''Neste momento não podemos falar nisso.'' Contudo, de acordo com Esteves, Bonato ''confirmou os fatos'' aos policiais, assim que foi preso. Bonato e Cito preferiram o silêncio durante os depoimentos formais ao delegado do Gaeco, Alan Flore.
As prisões ocorreram em locais diferentes por volta do meio dia. Bonato, que teria resistido à prisão e por isso chegou algemado à sede do Gaeco, foi abordado pelos policiais logo após ter entregue R$ 20 mil ao vereador. Mais R$ 20 mil seriam pagos após a votação da CP e o restante, R$ 40 mil, seria durante a campanha. Cito foi preso na prefeitura. A origem do dinheiro não foi confirmada. De acordo com o delegado do Gaeco, Alan Flore, ''Bonato agia a mando de Marco Cito''.
No final da tarde, antes de ser encaminhado à Penitenciária (PEL 2), Marco Cito negou a acusação e disse que foi uma armação do PSDB. Ludovico Bonato, demonstrando indiferença com a situação, deixou a sede do Gaeco sem falar com a imprensa, comendo uma banana que chegou a oferecer, gestualmente, aos jornalistas. O advogado dele, Guilherme Cavalcanti, disse que atenderia a imprensa hoje. Segundo o promotor, agora cabe à Justiça decidir, com base nas informações prestadas pelo MP, se os dois vão continuar presos preventivamente ou se serão liberados hoje. Caso permaneçam presos, o inquério policial deve ser concluído em dez dias.
Apreensão na prefeitura
No meio da tarde, em meio a olhares curiosos de servidores municipais, policiais e promotores do Gaeco cumpriram mandados de busca e apreensão, também, na sala do chefe de Gabinete da prefeitura, Rogério Lopes Ortega. Ele não estava no local e depois de 40 minutos os agentes deixaram o Executivo com malotes de documentos. Esteves não quis confirmar qual seria a ligação de Ortega com as investigações, confirmando que ''são documentos importantes''.
A assessoria de imprensa da prefeitura disse que o prefeito Barbosa Neto, que estava em Brasília ontem, atenderá a imprensa assim que retornar à cidade.


