Os advogados do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, preso desde dezembro acusado de comandar o esquema de desvios de recursos públicos, prometem convocar uma entrevista coletiva com ele nesta semana. O que provocou a reação de Paolicchi, que não se manifestou aos jornalistas desde que chegou na cidade, no dia 12 de dezembro, foram as declarações à imprensa do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). O ex-prefeito disse que o mentor e o principal beneficiado com o esquema é Paolicchi.
Moisés Zanardi, um dos advogados do ex-secretário, confirmou ontem a entrevista com Paolicchi para rebater as afirmações de Gianoto. Ele informou que a partir de amanhã vai estudar onde e como pode ser realizada a coletiva. Paolicchi está preso no quartel da Polícia Militar de Maringá.
Gianoto ficou cinco meses sem falar nada fora das audiências. Ele concedeu entrevista anteontem, contrariando a vontade de seus advogados. O ex-prefeito joga toda a responsabilidade pelos desvios para Paolicchi. ‘‘Não tinha como saber dos desvios porque nem a Câmara e o Tribunal de Contas descobriram. A não ser agora com a quebra do sigilo e a análise dos cheques’’, argumentou.
Segundo Gianoto, conforme mudavam as regras do Banco Central para as transações financeiras, Paolicchi alterava a forma de desvio. ‘‘Começou sacando cheques nominais, para depois trabalhar com cheque administrativo e ainda transferir os valores por doc e em seguida ordem de pagamento’’, relatou.
Gianoto lembrou que assim como ele, muitos empresários que tiveram negócios com Paolicchi podem estar na mesma situação. A diferença, afirma o ex-prefeito, é que pretende devolver aos cofres públicos o que está comprovado ter recebido de dinheiro desviado. Já foram identificados cerca de R$ 1,3 milhão entre depósitos e equipamentos comprados com cheques da prefeitura – como colheitadeiras e silos. ‘‘Não quis falar nada antes justamente porque não tinha noção do que estava acontecendo’’, emenda.
Para se defender, Gianoto alega que assim que soube dos desvios, abriu sindicância interna, pediu à polícia instauração de inquérito e quebrou sigilo bancário pessoal e da administração. ‘‘Falei com o Paolicchi sobre a denuncia e a conta de Waldemir (Ronaldo Corrêa, funcionário de Paolicchi), alguns dias depois de ser oficializado pela Procuradoria da República, e ele me disse que tudo estava legalizado, era tudo questão de localizar os documentos’’, garantiu.
Como prefeito, ele garante que não existia forma de detectar os desvios. O atual prefeito de Maringá, José Cláudio (PT), garante que se houver desvio, fica sabendo ‘‘imediatamente’’. ‘‘Só se ele percorrer todos os bancos todos os dias’’, desafia Gianoto. O ex-prefeito alega ainda que durante a administração, o município teve um acréscimo de receita própria, o que dificulta ainda mais perceber qualquer desvio.
Gianoto defende outros acusados, garantindo que em momento algum usou recursos públicos para campanhas políticas. Ele desmente Paolicchi, que alegou ter desviado dinheiro da prefeitura para as campanhas do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB). Sobre a campanha de Alvaro, Paolicchi disse ter pago mais de R$ 200 mil pelo fretamento de uma aeronave do doleiro Alberto Youssef, de Londrina.
O ex-prefeito confirmou que conhecia Youssef, chegou a utilizar o hangar dele no aeroporto de Londrina e garante que o doleiro também foi vítima de Paolicchi. ‘‘O Youssef não tinha noção da origem do dinheiro que recebia de Paolicchi, e está preocupado com isso.’’ Por fim, Gianoto diz que todos os bens que possui comprou trabalhando como agropecuarista. ‘‘Tenho como comprovar isso pelas minhas declarações de imposto de renda.’’

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