Luis Antônio Paolicchi acusou os dois últimos prefeitos de Maringá, Said Ferreira e Jairo Gianoto, ambos sem partido, pelo ‘‘esquema’’ de desvio de dinheiro. Ele deixou claro que também desviava recursos para pagar contas pessoais. Paolicchi disse ainda que depositava ‘‘mesadas’’ de R$ 10 mil e R$ 15 mil para a mulher de Gianoto, Neusa, a pedido do prefeito afastado. E também que chegou a depositar R$ 55 mil na conta de Alexandre Ferreira, filho de Said.
Todas as acusações fazem parte do depoimento que Paolicchi prestou anteontem ao juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal Federal de Maringá. Apesar de sigilosas, as declarações do ex-secretário vazaram. Ontem o juiz pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para apurar de onde partiu a divulgação do depoimento.
Diante do juiz, Paolicchi alegou que foi ‘‘pressionado’’ a participar do esquema e que pediu demissão da secretaria várias vezes. Ele conta que o esquema de desvios começou em 1996, no final da gestão de Said. Paolicchi afirma que o ex-prefeito desviou recursos para a campanha de dois candidatos. Um deles seria o próprio Gianoto, na época chefe do setor de obras; o outro candidato foi o atual procurador do Estado, Joel Coimbra.
O desvio de R$ 2,6 milhões praticado na atual gestão foi, segundo ele, praticados por ordem de Gianoto. O prefeito teria ficado com pelo menos R$ 1 milhão. No depoimento, o ex-secretário conta que pediu a Waldemir Ronaldo Corrêa, na época servidor da prefeitura, para abrir uma conta em um banco. Os cheques saíam nominais à prefeitura com ordem de depósito na conta de Corrêa. De lá, o dinheiro voltava para a conta de Paolicchi.
O ex-secretário alega que os outros dois servidores acusados (Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa) desconheciam o esquema. Sobre o patrimônio que acumulou, com aviões, apartamentos, propriedades rurais, uma mineradora e veículos avaliados em mais de R$ 20 milhões, Paolicchi alega ter conseguido através de uma empresa de informática. Preso há uma semana em um hotel de Florianópolis, Paolicchi confirmou que a mãe dele, Teresa Beloso, não sabe da prisão.

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