Ex-secretária faz denúncias contra Grêmio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de junho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Uma apólice 'fantasma', um corretor que teria recebido cheques para a seguradora, mas nominais a ele, e o pagamento de um sinistro com verba de caixa da entidade estipulante, não da empresa. A pouco menos de um mês da conclusão dos trabalhos, novas denúncias de irregularidades no Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina (Gespel) podem mudar o rumo das investigações. O material foi coletado ontem à tarde, durante o depoimento da ex-secretária Simone Ribeiro da Silva a três membros da Comissão Especial de Investigação (CEI), na Câmara de Vereadores.
Simone trabalhou no Grêmio de 1999 a maio deste ano, com o ex e o atual presidente do Gespel respectivamente, Glenisson Rodrigues e Luiz Bispo da Silva. Ela confirmou ter havido atraso nos repasses de seguro na gestão de Rodrigues no mesmo número de parcelas que ele informou à Comissão: duas com a Boa Vista e duas com a ABS, ambas do grupo Bradesco. Entretanto, a ex-funcionária declarou ter achado ''estranho'' o fato de o Grêmio ter pago o seguro dos meses de setembro e outubro do ano passado com cheques nominais ao corretor João Abrahão. ''Estanhei porque sempre os pouco mais de R$ 50 mil da mensalidade iam diretamente à seguradora, preenchidos a pessoa jurídica, nunca física'', disse, para completar em seguida: ''Ele (Abrahão) falava em nome da Real, com quem o Grêmio fechou apólice''.
Sobre a mudança de seguradora sem quitar uma dívida que pode ultrapassar os R$ 700 mil com a Bradesco, Simone contou que ela foi feita de forma sigilosa. ''Não me deixavam participar das reuniões, mas ele (Silva) me pedia para manter sigilo sobre a transação, pois as outras seguradoras (com as quais havia débito) não aceitariam. Não falei nada.''
Ainda conforme a ex-secretária, pouco depois dos pagamentos nominais ao corretor, o Grêmio teria efetuado ''do próprio bolso'' o pagamento de ''sete ou oito cheques de mais de R$ 1 mil'' referente a um sinistro ocorrido no período. Simone defendeu o ex-presidente do Gespel, enfatizando que as dívidas deixadas por ele com seguradora foram em razão de obras de infra-estrutura necessárias no clube. Em depoimento, Rodrigues admitiu ter usado repasses da Prefeitura a seguros para obras no vestiário e na piscina. Ela confirmou o pagamento de duas apólices (em agosto e setembro de 2004) à Sul-América, que não admite o contrato.
O presidente da CEI, Luiz Carlos Tamazozzi (PTB), afirmou que o próximo passo será a tomada de depoimento de um representante da Real. ''Para nós é inédito o Grêmio pagar um sinistro de R$ 10,5 mil com cheque próprio. Mas o cheque nominal ao corretor é completamente irregular'', afirmou.
Silva se irritou com as declarações de Simone, que teria mentido ao citar os cheques a Abrahão e o tal ''sigilo''. ''Isso ela terá que provar adiante, temos recibos que comprovam que só acertamos com a Real em dezembro e que pagamos Sul América, sim'', afirmou. Silva admitiu ter pago o sinistro no final de 2004 ''porque estávamos descobertos de seguro naquele período''.


