Ex-reitores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) divulgaram uma carta em defesa da universidade pública, gratuita e autônoma, com ênfase na necessidade de financiamento contínuo da pesquisa científica e na valorização da educação, da cultura, da tecnologia e da inovação. O documento foi elaborado a partir de uma solicitação de integrantes da comunidade universitária e expressa preocupações com as políticas para o ensino superior no atual cenário político brasileiro.

Segundo Sérgio Carlos de Carvalho, reitor da UEL entre 2018 e 2022 e um dos signatários, a iniciativa surgiu após um grupo ligado à cultura e à educação da universidade organizar uma manifestação em defesa da cultura, da arte, da educação e do ensino superior público.

A carta foi construída a partir de contribuições de antigos dirigentes da instituição desde 1986, quando Bounassar assumiu como primeiro reitor eleito. De acordo com Carvalho, o objetivo é aproveitar a experiência administrativa dos ex-dirigentes para defender condições que consideram fundamentais ao funcionamento das universidades, como a gratuidade do ensino, a manutenção do caráter público das instituições, a autonomia universitária, o financiamento da pesquisa e a formação ética e profissional dos estudantes.

O documento também ressalta a importância da liberdade acadêmica e do pluralismo de ideias. Para os signatários, as universidades públicas não se limitam à formação profissional, mas desempenham papel estratégico na produção e na democratização do conhecimento, no desenvolvimento tecnológico e na construção de uma sociedade democrática.

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Imagem ilustrativa da imagem Ex-reitores da UEL defendem ensino público e autonomia científica

Financiamento e autonomia

A carta destaca que a produção científica não deve ser avaliada exclusivamente por resultados econômicos imediatos porque, mesmo quando não apresenta aplicações previsíveis no curto prazo, pode dar origem a descobertas e transformações tecnológicas. Por isso, os autores defendem o financiamento permanente da ciência e a liberdade de investigação.

A autonomia universitária também é apontada como condição para a produção de conhecimento confiável. Embora esteja prevista na Constituição, Carvalho observa que sua aplicação depende da interpretação de diferentes instâncias. “É um preceito que depende muito da interpretação, tanto do Supremo Tribunal Federal quanto de outras instâncias e nós mesmos das próprias universidades”, afirmou.

Na avaliação do ex-reitor, o diálogo com a comunidade científica é outro elemento central para o desenvolvimento do ensino superior. É por meio dele que são construídos os currículos e a produção de pesquisas dependem do trabalho coletivo, frequentemente desenvolvido em redes que envolvem diferentes universidades e pesquisadores. “Quem tem experiência em ensino superior, que é um trabalho coletivo, sabe que não se constrói sozinho, mas com um conjunto de pessoas”, disse.

Compromisso permanente

Para os ex-reitores, a educação, a ciência, a tecnologia, a inovação e a cultura devem constituir compromissos de Estado, independentemente das disputas eleitorais. A carta defende que o debate presidencial apresente propostas claras para o financiamento das universidades, a formação de pesquisadores e a valorização dos profissionais da educação.

De acordo com Carvalho, os signatários buscaram expressar preocupações comuns sobre o futuro do ensino superior “a partir da experiência administrativa que tiveram na condução da nossa universidade”.

Assinam a carta Jorge Bounassar Filho, João Carlos Thomson, Pedro Alejandro Gordan, Lygia Lumina Pupatto, Eduardo Di Mauro, César Antonio Caggiano dos Santos, Nádina Aparecida Moreno, Berenice Quinzani Jordão, Sérgio Carlos de Carvalho e Marta R. Gimenez Favaro.

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