Ex-reitora da UEL sofre processo administrativo
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quarta-feira, 08 de novembro de 2006
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai abrir processo administrativo discplinar contra a ex-reitora e atual secretária estadual de Ciência e Tecnologia Lygia Pupatto e o ex-vice-reitor Eduardo di Mauro pela prática de cinco irregularidades administrativas, apontadas por sindicância interna, na confecção do livro ''Tempo de Luz - Memória da Gestão''. A informação foi confirmada pelo procurador jurídico da instituição, Rui Carneiro.
De acordo com a investigação preliminar, a edição de 1.000 cópias da publicação, por R$ 11.500, incorreu em promoção pessoal, dispensa irregular de licitação, ausência de cotação de preço, escolha de profissionais contratados por laços de amizade e ofensa ao princípio constitucional da razoabilidade. As penas, em caso de condenação, variam de advertência a expulsão da instituição.
A sindicância desconsiderou a possibilidade de superfaturamento de preço. Segundo o advogado, Fábio Teóphilo, representante da OAB nas investigações, a ex-reitora Lygia Pupatto foi convidada para prestar esclarecimento em duas ocasiões, mas não compareceu à comissão.
O livro ''Tempo de Luz'', foi elaborado nos últimos dias da gestão Lygia/di Mauro, após a derrota do candidato da situação para as eleições da UEL, no primeiro semestre deste ano. A contratação de profissionais para redação dos textos, editoração eletrônica e de empresa gráfica foi feita sem licitação, sob argumento de urgência - o que foi desconsiderado pela comissão já que o término do mandato estava definido desde o início da gestão.
''Não existe emergência se você deu causa e deixou para o último momento'', afirmou Theóphilo. O advogado explicou que a comissão também considerou irregular a tiragem da publicação - 1.000 exemplares -, já que foram distribuídas cópias para delegacia de polícia, empresas particulares, universidades do norte e nordeste do país sem vínculo com a UEL, além da totalidade dos deputados estaduais e federais do Paraná.
''Observa-se com clareza que muitas instituições não terão proveito com o livro. Não é razoável distribuir os relatórios para empresas privadas e para a polícia. Denota promoção pessoal.'' Outro indicativo de propaganda dos ex-reitores é o título do livro - ''Tempo de Luz'' - e a utilização constante das expressões ''criamos'', ''iniciamos'', ''apostamos'', sempre em tom de enaltecimento e em terceira pessoa do plural - não em nome da instituição.
Por fim, a comissão de sindicância considerou responsáveis os dois administradores citados na publicação e que exerciam poder de mando na UEL e seu órgão superior, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.


