''O político é um instrumento da sociedade.'' É assim que o médico e ex-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Oscar Alves resume o que entende ser o modelo ideal para quem ingressa na vida pública. Mas a avalanche de denúncias de corrupção, ainda mais em voga em ano de eleição, é responsável por afastar os ''homens de bem do mar de lama em que se transformou a política''.
A análise foi feita durante visita ao diretor-superintendente da Folha de Londrina, José Eduardo de Andrade Vieira. Oscar Alves ainda fez propostas para combater o desemprego, que considera o principal problema da cidade atualmente. Para ele, é necessário que o poder público aja no sentido de incentivar empreendimentos, principalmente no setor agropecuário.
''A nossa vocação é a agroindústria. O ideal é fechar a cadeia produtiva, com a produção, industrialização e comercialização do que é produzido aqui'', disse. Outras propostas dele são priorizar a reforma política e a redução da carga tributária.
Envolvido com a política desde a faculdade, Alves sempre foi próximo de políticos importantes do Paraná. Casou com a filha do governador Ney Braga e era do mesmo grupo político de José Richa. Chegou a ser o titular da Secretaria Estadual de Saúde.
O próprio jeito de fazer política, para Oscar Alves, é muito diferente hoje comparado ao tempo em que militava mais ativamente. As campanhas eram baseadas no contato pessoal, sem palanque eletrônico ou ''showmícios''. Os ataques pessoais também eram mais raros, conta ele.
Mas as histórias pitorescas, por outro lado, nunca faltaram. Uma delas foi durante a campanha presidencial de Jânio Quadros, em 1960. Os dois candidatos ao governo do Estado, Nelson Maculan e Ney Braga, o apoiavam, o que causou uma saia justa.
Acuado pela multidão, o candidato à presidência não queria descer do avião. Mas foi convencido e praticamente jogado escada abaixo por correligionários de Braga, que também foi empurrado. No que Jânio e Braga se ''abraçaram'' para não cair, a foto que representava o ''apoio'' a Ney Braga foi feita e distribuída para todo Estado.
A estratégia dos correligionários de Maculan era usar a influência de uma rádio curitibana para divulgar o suposto apoio de Jânio. O plano só não deu certo porque Alves, com auxílio de um cortador de unha, rompeu o fio do microfone da emissora.
''O Jânio não queria apoiar nenhum dos dois candidatos, mas no final a foto mostrando o apoio dele foi decisiva para garantir a vitória de Ney Braga'', relatou.
Oscar Alves também ocupou o cargo de reitor da UEL. E essa é outra história interessante. Enquanto cursava doutorado fora da cidade, ele teve a candidatura lançada à revelia por um grupo de amigos, entre eles o arcebispo dom Geraldo Fernandes, o ex-prefeito José Hosken de Novaes, o empresário Celso Garcia Cid e o fundador da Folha de Londrina João Milanez.
Depois de relutar muito, aceitou entrar na disputa e foi eleito pelo conselho universitário. Na época, não havia voto direto para escolha do reitor. Eleito, ocupou o cargo entre 1974 e 1978, período no qual criou a Assessoria de Relações Universitárias (ARU) e a a editora da universidade. Hoje, afastado da política, atua como médico na sua clínica de ginecologia.

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