O ex-procurador da República da Itália Giancarlo Sandro Caselli lamentou ontem, em São Paulo, a falta de cooperação internacional na apuração de crimes de colarinho branco. Segundo ele, para estas violações, é necessário traçar o percurso do dinheiro sujo. O ex-procurador da República está participando do 1º Congresso Mundial do Ministério Público (MP).
As cartas rogatórias (pedidos de realização de diligências em outro país) enviadas a outras nações, muitas vezes, não são respondidas, principalmente por paraísos fiscais.
Apesar do sucesso com que as autoridades italianas combateram a corrupção com a chamada Operação Mãos Limpas, Caselli criticou a falta de uma legislação que forneça instrumentos mais eficazes para o combate à criminalidade, como tratados que permitam maior cooperação entre países. ‘‘Não há muita eficiência nas cartas rogatórias’’, afirma.
Caselli, que atualmente é diretor do sistema penitenciário italiano, vinculado ao Ministério da Justiça, trabalhou dez anos no combate ao terrorismo e sete atuando contra a máfia. Ele fazia parte da equipe do procurador Giovani Falconni, que foi assassinado. O ex-procurador está no Brasil para dar palestra no congresso e está acompanhado de forte esquema de segurança. Para Caselli, o combate aos crimes ‘‘transnacionais é o desafio do milênio’’.

mockup