Ex-primeira-dama do Paraná, Fani Lerner morre aos 63 anos
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
Curitiba - A esposa do ex-governador do Paraná Jaime Lerner, Fani Lerner morreu ontem de madrugada, aos 63 anos, em casa, no bairro Cabral, em Curitiba. Fani lutava contra um câncer há quase 15 anos. O quadro de saúde da ex-primeira-dama teria se agravado no mês passado. O corpo foi velado no salão nobre da Prefeitura de Curitiba e enterrado no Cemitério Israelita. O velório foi acompanhado por várias autoridades. O governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), decretou luto oficial por três dias.
Fani ocupou postos nas gestões de Jaime Lerner, quando ele foi prefeito de Curitiba (1971 a 1975, 1979 a 1983 e 1989 a 1993) e também quando foi governador do Paraná (1995 a 1999 e 1999 a 2003). Ela assumiu em 1989 a Secretaria da Criança de Curitiba. Fani ficou ainda à frente da Secretaria da Criança no governo do Paraná de 1995 a 2002. No período, ganhou reconhecimento pela criação do Provopar e pelo programa Supersopa.
No governo do Paraná, Fani criou 16 programas voltados para crianças e adolescentes carentes. Entre eles o Casa do Piá, que servia de abrigo para crianças de rua, fornecendo refeições e proteção contra o frio, além de apoio social. Ela trabalhou ainda pela redução da mortalidade infantil e também da mortalidade materna, causada por complicações de gravidez e parto.
Outro programa foi o Da Rua para a Escola, voltado a promover o retorno à escola das crianças de rua, com o fornecimento de uma cesta básica de alimentos para suas famílias. Em 1997, o programa ganhou do Unicef o prêmio Criança e Paz. À frente do Provopar criou o programa Supersopa, que distribuía sopas a crianças carentes nas escolas ou nas creches.
Fani também foi a vencedora do Prêmio Kelloggs para o Desenvolvimento da Criança 2003, oferecido pela organização americana World of Children, em parceria com a instituição Hannah Neil. A premiação é considerada a mais importante do mundo na área de ação social voltada à criança.
Filha de imigrantes judeus que vieram para o Brasil para escapar do nazismo, Fani nasceu em Curitiba. Quando tinha quatro anos de idade, tornou-se órfã de pai. Tinha graduação em psicologia. Casada com Jaime Lerner desde 1964, Fani deixa as filhas Andrea, casada com Sebastiaan Bremer, e Ilana, casada com Cláudio Hoffmann, e os netos Ben, 9 anos, Liana, 7, Tobias, 7, e Sophie, 5.
Luto
Contatado pela FOLHA, o ex-governador Jaime Lerner preferiu não se manifestar. Emília Belinati, que foi vice-governadora do Estado na época do Lerner, declarou que Fani era uma pessoa sensível, que vai deixar saudades. Se eu pudesse resumir, eu diria que ela era a alma do governo do Estado. Sempre atuou de forma democrática, aberta, com respeito, atendendo municípios sem olhar para a sigla, disse ela. Emília lembra que, mesmo com a doença, Fani permaneceu forte. Apesar das limitações, ela continuou trabalhando, conta ela.
Todos nós aprendemos a admirar dona Fani, tanto pela pessoa gentil, otimista e vibrante, como pelo grande trabalho profissional que desempenhou nas funções públicas que ocupou, disse o prefeito de Curitiba, Beto Richa
(PSDB), que suspendeu compromissos em Brasília em função do sepultamento.
A presidente da Fundação de Ação Social, Fernanda Richa, disse que o trabalho de Fani serve de referência a iniciativas de todos aqueles que trabalham na área social, especialmente em Curitiba. Dona Fani fixou modelos, não apenas pelo trabalho que realizou na Prefeitura de Curitiba e no Estado, mas também por sua atitude e seu comportamento na vida pública, declarou. Sua austeridade e seu comedimento no trato com as pessoas, sempre de forma gentil e elegante, são virtudes que, para nós, estabelecem espelhos da boa conduta no serviço público, acrescentou ela.


