Maringá - Seis ex-presos políticos da região de Maringá estão ingressando na Justiça com pedido de indenização por danos morais decorrentes de torturas, prisões e perseguições sofridas na época da ditadura militar, no período de 1964 a 1984. As ações foram motivadas pela decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), divulgada na semana passada, que julgou procedente a ação encaminhada por Lígia Silva de Assunção contra o governo federal.
De acordo com o advogado Wilson Quinteiro, a decisão do TRF abre caminho para outras ações de ex-presos políticos que tiveram seus direitos violados. Ele explicou que para este tipo de ação, conforme o próprio TRF entendeu recentemente, o pagamento de indenização à vítima não prescreve. Quinteiro representou o ex-preso político Ildeu Manso Vieira, que faleceu em 2000. Vieira ganhou a ação no STF, mas a União recorreu.
Cândido Gaya, 56 anos, é um dos ex-presos políticos que vai ingressar com ação de indenização. Ele foi preso em 1972 e em 1974 por pertencer a um grupo de esquerda independente. Em 1972, Gaya conta que ficou preso durante 45 dias no quartel da Polícia Militar de Curitiba, e que sofreu afogamento e choque na cabeça. Mas foi em 1974 que ele afirma ter sofrido as piores torturas. ‘‘Foram dois meses de prisão, mas fui muito mais torturado’’, relembra. Ele revela que levou choques em várias partes do corpo. Depois da segunda prisão, Gaya afirma ter ficado 10 anos internado em hospitais psiquiátricos de vários estados. Até hoje ele sofre de esquizofrenia e mantém tratamento com um psiquiatra de Maringá.
Gregori Parandiuc, Leonor Urias de Souza, Ladislau Alberto de Lima, Wladimir Luck Rubeli e os herdeiros de Álvaro Eugênio Cabral também estão ingressando com pedido de indenização pelas torturas sofridas no período de ditadura. Além de danos à integridade física, eles alegam terem perdido imóveis e familiares que não suportaram o sofrimento no auge das prisões e torturas. De acordo com o advogado Wilson Quinteiro, este tipo de ação cabe a todos os ex-presos políticos do País e seus dependentes diretos. ‘‘Apesar de quase 20 anos após o fim da ditadura, este tipo de matéria está se consolidando no Brasil somente agora e serve de exemplo para que nunca mais os governos adotem a tortura no País’’, afirmou. O advogado não revelou o valor das indenizações.

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