Ex-preso político requer indenização
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sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Foto Arquivo FolhaTorturaJoão Einecke: ex-preso político quer R$ 10 milhões de indenizaçãoA advogada Soraia Araújo Pinholato ingressa hoje em Londrina na Justiça Federal com uma ação de danos morais contra a União em benefício do ex-preso político João Alberto Einecke, 53 anos, de Londrina. Ela reivindica o pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões ao seu cliente, detido por três anos durante o regime militar - de 1975 a 1978. Einecke é ex-militante comunista.
O governo militar foi responsável pelo sofrimento de Einecke. Não queremos a condenação do governo, mas o ressarcimento dos prejuízos morais. Que seja feita a Justiça. Para quem perdeu praticamente tudo, o dinheiro é a forma de aliviar um pouco a dor, argumenta a advogada, que está estudando a vida de Einecke há sete meses. Ela admite que o valor da indenização é um dos mais altos já requeridos.
A ação reúne desde reportagens publicadas pela Folha até capítulos inteiros de livros que relatam o drama dos ex-presos políticos brasileiros, entre eles Memórias torturadas e alegres de um preso político, de Ildeo Manso Vieira, Resistência democrática - A repressão no Paraná, de Milton Ivan Heller, e ainda um capítulo do livro Sequelas das torturas, também de Ildeo Vieira, ainda não lançado.
Soraia Pinholato também está anexando a cópia da lei de autoria do deputado estadual paranaense Beto Richa (PTB), que prevê indenização de R$ 5 mil a 30 mil aos presos políticos que tiveram sequelas psicológicas e físicas decorrentes de prisões e torturas no regime militar. A ação está bem embasada, garante a advogada.
ArrasadoQuase 20 anos depois da prisão do ativista político Einecke, ele guarda sequelas psicológicas e físicas do episódio. Ele perdeu um dos testículos na prisão, foi torturado, teve a esposa violentada, o que acabou causando o aborto do filho do casal, e perdeu uma filha posteriormente, vítima de suicídio. Ela não teria suportado saber dos dramas vividos pelo pai. Fora isso persiste o pesadelo, o trauma, o medo de andar na rua e até sair de casa. Ele ficou moralmente arrasado, diz Soraia.
A advogada conta que Einecke não conseguiu mais empregos dignos depois de todas as humilhações por que passou nas mãos do regime político então vigente. Antes de ser preso, ele era fiscal da Viação Garcia. Depois da prisão política, Einecke praticamente não arrumou mais trabalho. Ele não tinha um alto padrão de vida, mas era o suficiente para o sustento da família, lembra Soraia. A indenização não vai apagar esse sofrimento todo, mas pode aliviar e deixar que ele espaireça um pouco, viaje, faça um bom acompanhamento psicológico, diz a advogada.


