Ex-presidentes do TRT terão sigilo quebrado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 1999
Fausto Macedo Agência Estado 
A CPI do Poder Judiciário vai decretar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos últimos três ex-presidentes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, os juízes José Victório Moro (1992-94), Rubens Tavares Aidar (1994-96) e Délvio Buffulin (1996-98). Eles sucederam o juiz Nicolau dos Santos Neto (1990-1992) - principal alvo da CPI - suspeito de enriquecimento ilícito e improbidade.
Os senadores que investigam irregularidades na Justiça consideram que os três colegas de Nicolau podem estar envolvidos no processo irregular de construção do Fórum Trabalhista da Capital, negócio que já consumiu R$ 263,9 milhões da União e serviu de ponto de partida para os trabalhos da comissão. A CPI também decidiu contratar um escritório especializado - a exemplo do que fez em 1992 a CPI do esquema PC Farias, tesoureiro de Collor - para investigar o patrimônio de Nicolau no exterior. O juiz possui bens imóveis e aplicações financeiras fora do País, segundo denúncia de seu ex-genro, o administrador de empresas Marco Aurélio Gil de Oliveira.
A medida sobre o desbloqueio de dados dos ex-presidentes do TRT deverá ser tomada segunda-feira, anunciou ontem o senador Carlos Wilson (PSDB-PE), vice-presidente da comissão. Não tenho nenhuma dúvida de que houve desvio de dinheiro público nessa obra, afirmou Wilson. Acho que muitas pessoas enriqueceram ilicitamente; não há apenas um envolvido nisso, disse o senador, sem citar nomes, ao ser indagado se havia mais suspeitos além de Nicolau.
Segundo Wilson, há evidências fortes da existência de conta na Suíça e investimentos nas Bahamas e nos EUA em nome de Nicolau. Wilson revelou que há indícios de que Nicolau teria renda anual de US$ 4 milhões.
Ontem à tarde, Wilson e outros dois senadores, Paulo Souto (PFL-BA), relator, e Geraldo Allthoff (PFL-SC), inspecionaram o prédio do fórum, na Barra Funda, acompanhados do atual presidente do TRT, juiz Floriano Vaz da Silva. Viram a imagem do desperdício. A obra, iniciada em 1993, está abandonada desde outubro do ano passado. A Ikal Construtora - do grupo Incal Incorporações - interrompeu os trabalhos depois que a Justiça Federal determinou o bloqueio de novos repasses de verbas.
O prédio, projetado para abrigar 79 Juntas de Conciliação e Julgamento - é um imenso esqueleto cinza, composto de duas torres de 18 andares cada uma. Apenas 60% do cronograma físico da obra foi cumprido. É um descalabro, um desperdício, disse o senador Souto. Técnicos do TRT explicaram aos senadores que há pontos de elevado comprometimento da obra, instalações que podem ruir devido ao abandono. Souto quis saber quanto ainda é necessário para concluir o prédio. Uns R$ 30 milhões, calculou o diretor-administrativo do Tribunal, César Gilii.


