Curitiba Ex-presidentes do Banestado garantem que desconheciam qualquer operação ilegal via Nova York. Investigações comandadas pela Polícia Federal e pelo MP apontam que pelo menos US$ 15 bilhões fruto de corrupção e narcotráfico saíram do país pelas contas CC-5 e depois de passarem por Nova York pousaram em paraísos fiscais. As cifras podem ser bem maiores.
O ex-presidente Luiz Antonio Fayet, que dirigiu o banco em 1995, explica que na sua época havia um sistema de controle para identificar as operações que tivessem um perfil diferenciado, com altos valores, por exemplo, ou com fluxos anormais. ''As contas CC-5 são legais. No meu tempo, não detectamos nenhum fluxo anormal'', diz. Ele diz ainda que hoje, com a CPMF, está mais fácil controlar questões como essa. ''Naquela época nunca fomos solicitados pelo Banco Central a tomar alguma providência nesse sentido'', afirma.
Fayet foi sucedido por Domingos Murta Ramalho, que ficou à frente da instituição até 1997. Ramalho também nega que tenha conhecimento de qualquer movimentação ilegal. Segundo ele, a única irregularidade que pode ter acontecido no seu período de administração é fraude na documentação para abertura de contas. ''As denúncias sobre isso não eram frequentes, mas nós punimos alguns gerentes por esse procedimento'', conta Faeyt.
A abertura de contas com documentos fraudados podia dar margem para esse tipo de movimentação ilegal. Ramalho disse ainda que às vezes nem mesmo os gerentes do banco conseguiam perceber a falsificação. Ou seja, nem sempre esse procedimento era fruto da má-fé de funcionários.
O presidente seguinte, Neco Garcia, também diz desconhecer qualquer irregularidade. ''O titular da conta (CC-5), que o BC aceitava como cliente, depositava o dinheiro de forma legal'', aponta. Ele diz ainda que todas as contas foram acompanhadas pelo BC, que também recebia cópias das atas de todas as reuniões de diretoria da instituição.
O último presidente, Reinhold Stephanes, atual secretário de Administração, foi procurado pela Folha mas não retornou as ligações. Foi ele quem coordenou o processo de privatização do banco.

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