Haia O ex-presidente Slobodan Milosevic decidiu não recorrer à ajuda de advogados, já que não reconhece a legitimidade deste tribunal. Segundo pessoas ligadas a ele, o ex-líder de Belgrado não se dirigirá em sua defesa aos juízes do TPI, e sim ‘‘à opinião pública mundial’’.
Mantendo a mesma atitude de desprezo que assumiu nas audiências anteriores, o ex-presidente atacará os ‘‘crimes da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)’’, que bombardeou a Sérvia durante 11 semanas na primavera de 1999, até conseguir que as tropas de Belgrado se retirassem de Kosovo.
No primeiro dia do processo, a promotora-geral do TPI, Carla del Ponte, acusou Milosevic de ‘‘selvageria medieval’’ pelos sofrimentos causados na ex-Iugoslávia. Segundo a acusação, Milosevic cometeu os ‘‘piores crimes possíveis’’, movido por sua ânsia desmedida de poder. Ontem, a promotoria continuou com a exposição dos crimes atribuídos ao ex-presidente e se concentrou em Kosovo, onde a ata de acusação fala de ‘‘800.000 albaneses deslocados à força e da morte de 900’’, incluindo mulheres e crianças.

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