Ex-presidente responsabiliza o BC
Curitiba - Acusado pela CPI do Banestado de gestão temerária à frente do banco em 1995, período em que era presidente, Luiz Antônio de Camargo Fayet credita ao Banco Central (BC) a culpa pelo rombo no banco. Para Fayet, o próprio BC reconheceu o erro através da diretora de fiscalização do órgão, que afirmou que as operações do Banestado eram ''um caso de polícia''.
''Concordo com os deputados, de que a responsabilidade seria da unidade fiscalizadora. Quando a diretora assume que havia irregularidades e nada foi feito, comprava-se a omissão do BC. Fica comprovado que a intervenção no banco deveria ter ocorrido antes'', destacou Fayet.
O ex-presidente nega responsabilidade sobre as irregularidades apontadas pela CPI, uma vez que elas teriam ocorrido após ele ter deixado o comando do banco. ''Não saberia apontar se houve erros após minha gestão. Mas acredito que o fato relevante é a omissão do BC'', apontou.
A Folha tentou contato com os 17 ex-dirigentes do banco acusados de gestão temerária. Poucos retornaram as ligações. O ex-diretor da carteira comercial do banco entre 1997 e 1998 Oswaldo Rodrigues Batata nega as acusações dos deputados, de que empresas foram beneficiadas na hora de quitar as dívidas junto à instituição. ''Houve descontos na renegociação das dívidas, mas elas seguiram a prática geral do mercado, baseado no momento econômico do país à época'', argumentou.
Presidente do Banestado entre 1997 e 1998, quando o banco estava sendo saneado, Neco Garcia também nega irregularidades nas operações. ''Fui chamado para sanear o banco, que vinha dando prejuízos diários de R$ 2 milhões. No final, o banco foi privatizado por um valor muito maior do que a expectativa do mercado, o que mostra que o trabalho foi feito corretamente. O banco estava quebrado, conforme o próprio secretário de Fazenda (Giovani Gionédis) disse à época. Aliás, essa declaração prejudicou o banco, uma vez os poupadores começaram a retirar seus recursos das contas'', criticou Neco Garcia. Gionédis, que também é citado no relatório da CPI, não retornou as ligações para comentar o assunto.
A Folha também tentou entrar em contato com os ex-dirigentes Domingos Tarso Murta Ramalho, Alfredo Sadi Prestes, Geraldo Molina, Ricardo Khury, Elio Poleto Panato, Paulo Roberto Rocha Kruger e Valmor Pícolo, mas não conseguiu localizá-los. O ex-dirigentes Cestílio Merlo, Wilson Mugniani e Nilton Mariano não retornaram as ligações.





