Ex-presidente faz críticas a Lara Resende na Internet
Pelo segundo dia consecutivo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello usou a rede da Internet para divulgar a própria versão sobre seu governo de menos de dois anos. Nos capítulos de ontem - Formação do Governo e Definindo as Medidas - Collor procura comprometer o economista André Lara Resende com a idéia do confisco da poupança e das contas correntes, o núcleo do fracassado plano econômico da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. André Lara é, hoje, assessor especial do presidente Fernando Henrique Cardoso. Collor recorda ter convidado Fernando Henrique e o senador José Serra para serem ministros e faz alusão a um acordo para isso, com o então presidente do PSDB, deputado Franco Montoro. O suposto acordo não foi cumprido.
Collor sustenta que André Lara teria sugerido que se congelem os ativos, durante uma conversa na presença do também economista Daniel Dantas. Este teria reagido com um salto da cadeira: Que sugestão é esta André? (Collor dispensa as vírgulas necessárias no texto) Você, com a caneta na mão, faria isto? Não, estou só colocando uma alternativa, recua André Lara, na versão collorida. Então, não queira fazer cumprimentos com o chapéu alheio, teria sido a resposta de Dantas.
Barreto A mulher do produtor Luiz Carlos Barreto, Lucy Barreto, afirmou que o casal está avaliando a possibilidade de processar o ex-presidente da República Fernando Collor. No primeiro capítulo de seu livro de memórias, Crônica de um golpe - a versão de quem viveu o fato, que está sendo veiculado pela Internet, Collor conta que Barreto o aconselhou a instalar uma ditadura no País. Segundo Lucy, essa é a segunda vez que Collor cita declarações de Barreto, desmentidas pelo produtor.
Agora só com um processo, afirmou. Vamos ver se assim deixam a gente em paz. Lucy contou que, há alguns meses, em entrevista a uma revista semanal, Collor teria dado as mesmas declarações. Na época, o Barreto desmentiu; agora vem ele com essa história de novo, afirma. No livro, Collor diz que Barreto lhe sugeriu se candidatar novamente, usando como bandeira para a reeleição o fechamento do Congresso Nacional. O ex-presidente cita a suposta declaração do produtor: Se o senhor fizesse uma campanha assim, seria eleito com uma votação extraordinária.
Junqueira No livro de memórias, Collor acusa ainda o ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira de ter colaborado com torturas de presos políticos durante o regime militar. Pouca gente sabe, mas Aristides Junqueira está listado entre os torturadores do tempo da ditadura, no livro Brasil Nunca Mais, escreve o ex-presidente. Segundo Collor, Junqueira é acusado de ter aceitado, como elemento de prova, depoimentos colhidos em delegacias ou ambiente militar (observação: pela tortura), o que colidia com a tradição jurídica brasileira. (AE)





