Ex-presidente do TST diz que ação de lobby é normal
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Gilse Guedes e Rosa Costa Agência Estado De Brasília 
O ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST) José Ajuricaba da Costa e Silva disse ontem em depoimento à Subcomissão Permanente do Judiciário do Senado, que é um procedimento normal no órgão fazer lobby junto ao governo para a liberação de recursos do Orçamento a obras de tribunais regionais do Trabalho (TRTs). Ele contestou a informação dada pelo governo e pelo ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira, investigado pela subcomissão por ter trocado telefonemas com o ex-presidente do TRT de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, de que a operação para a liberação é automática.
Para conseguir dinheiro para obras, só com lobby; tanto é que eu fui ao então ministro da Economia Marcílio Marques Moreira com o ex-presidente do TST Arnaldo Costa, que já morreu, e ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, já como presidente, para pedir dinheiro para os TRTs, entre eles, para o TRT-SP, disse Silva.
O ex-presidente do TST Wagner Pimenta, que também prestou depoimento, entrou em contradição, ao admitir que fez negociações no Congresso para a aprovação de uma emenda no valor de R$ 10 milhões como forma de dotação orçamentária suplementar para a obra do Fórum trabalhista da capital paulista, da qual foram desviados R$ 169 milhões.
Depois de afirmar que não havia atuado para a liberação de verbas, Pimenta, que deixou a presidência do TST há cerca de um mês, foi questionado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) por ter assinado, em 19 de janeiro de 1999, um ofício enviado ao então coordenador da bancada de São Paulo na Câmara, o ex-deputado Hélio Rosas (PMDB), pedindo empenho para incluir no Orçamento a emenda no valor de R$ 10 milhões.
Pimenta confirmou o envio do documento ao ex-deputado, justificando que tomou tal procedimento sem juízo de valor, a pedido do ex-presidente do TRT de São Paulo Floriano Vaz da Silva. É uma contradição relevante, disse o relator da subcomissão, José Jorge (PFL-PE). O ex-presidente do TST disse ainda que autorizou a revisão de preços da obra em 1998, ano em que a construção foi paralisada por causa das irregularidades, a pedido do então presidente do TRT Élvio Buffulin.


