Brasília - A sessão da Câmara dos Deputados em homenagem ao ex-presidente nacional do PSDB e deputado federal Sérgio Guerra (PSDB-PE), que morreu ontem, reuniu deputados oposicionistas e governistas que destacaram sua capacidade de articulação no cenário político. O tucano foi chamado de "grande opositor", parlamentar de "sensibilidade extraordinária" e "homem público valoroso e correto". Guerra estava internado há cerca de 20 dias no hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Sérgio Guerra era presidente do Instituto Teotonio Vilela (ITV) e do diretório do partido em Pernambuco.
Guerra lutava contra câncer no pulmão e na cabeça e, recentemente, teve uma pneumonia em decorrência de quimioterapia. A homenagem foi solicitada pelo deputado Mauro Benevides (PMDB-CE). A sessão levou cerca de 18 minutos e contou com a presença de oito parlamentares, já que as atividades do Congresso ainda estão esvaziadas pelo feriado de Carnaval. Ao final, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio.
Para o petista Amauri Teixeira (BA), Guerra "soube cumprir seu papel de oposicionista". "Quero trazer em nome do nosso partido o pesar e solidariedade à família, aos correligionários do grande opositor e grande político", afirmou. O deputado Izalci (DF) foi o representante do PSDB e apenas leu as notas de pesar divulgadas pelo comando do partido e pela liderança da sigla na Câmara.

Senado
Senadores do governo e da oposição também apresentaram ontem votos de pesar pela morte de Guerra, que devem ser aprovados pelo Senado na semana que vem - um deles de autoria do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em nota, Renan disse que Guerra foi uma "referência como democrata e homem público" em todos os cargos que exerceu seja na Câmara, no Senado ou na presidência do PSDB.
"No Senado, onde cumpriu com dedicação mandato entre 2003 e 2011, Sérgio Guerra se destacou pela amizade e cordialidade com os seus pares. O povo de Pernambuco e o Congresso Nacional perdem muito com a ausência de Sérgio Guerra. Eu particularmente perco um grande amigo", disse Renan.
Os poucos senadores presentes em plenário fizeram homenagens a Guerra nos discursos, inclusive governistas.
Presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) afirmou que Guerra apresentou um "longo rol" de serviços prestados ao País, com dedicação ao interesse público e defesa da transparência.
"Mostrou-se, ao longo desses mais de 30 anos de vida pública, uma pessoa sensata, aberta ao diálogo, com grande capacidade de articulação e liderança, habilidades que o levaram à presidência do PSDB. Além disso, sempre se revelou um ser humano de espírito ativo, mas conciliador", disse Raupp.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), aliado de Guerra, disse que o Brasil e Pernambuco perdem uma de suas "mais significativas lideranças políticas".
Único tucano presente ao plenário do Senado, Dias lembrou que Guerra não se afastou da presidência do partido mesmo em meio ao tratamento contra o câncer, abrindo caminho para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se eleger para o comando da sigla.
"Foi um dos líderes mais influentes do PSDB nos últimos anos. Foi, certamente, influente e decisivo na escolha de José Serra, candidato a presidente da República, como foi também decisivo, recentemente, na escolha de Aécio Neves para presidir o PSDB, sucedendo-o, e para se colocar como nosso candidato à Presidência da República. A influência de Sérgio Guerra deve ser reconhecida nesses episódios", afirmou Dias.

Paranaenses
Lideranças do PSDB no Paraná também se manifestaram ontem sobre a morte de Sérgio Guerra. Via rede social Twitter, o governador do Estado, Beto Richa (PSDB), que está afastado do Executivo para viagem pessoal, disse que o correligionário foi "conselheiro, articulador, aglutinador". "Um político sério, um defensor da democracia e do nosso País. Um grande líder", escreveu ele.
O presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, também se manifestou através do site do PSDB estadual: "A lacuna que deixa será difícil de ser preenchida. Guerra era muito culto, conhecia muito o Brasil por lidar no campo e por frequentar salas de aula como professor, e, acima de tudo, era um político equilibrado com muita experiências por conta dos cargos públicos e mandatos legislativos que exerceu". (com Reportagem Local)

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