Brasília - O ex-presidente do Equador Lúcio Gutiérrez renunciou ontem à condição de asilado político no Brasil. Por meio de carta enviada ao secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, Gutiérrez alegou que deverá se deslocar aos Estados Unidos por razões estritamente pessoais. Com a decisão, o ex-presidente perderá a proteção diplomática e o direito a passaporte especial e a carteira de identidade no País. Caso permaneça no Brasil, estará ainda sujeito a possível processo de extradição, caso tal demanda seja apresentada pelo atual governo equatoriano ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro. A concessão do asilo ao presidente deposto no último dia 20 de abril pelo Congresso equatoriano foi um episódio curioso na história diplomática brasileira. Gutiérrez buscou proteção diplomática na embaixada do Brasil em Quito, que acabou sitiada por manifestantes que exigiam o seu processo judicial no país, onde era suspeito de ações de corrupção. Mesmo com a antecipada decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder-lhe o asilo territorial, Gutiérrez foi retirado de seu país somente depois de ter obtido um salvo-conduto do governo equatoriano.

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