O economista Pedro Brito Nascimento, que presidiu o Banco do Estado do Ceará (BEC) durante o governo Ciro Gomes (91-94), garante não haver nenhuma operação irregular durante a sua administração que, segundo afirma, ''teve uma diretoria 100% de profissionais bancários e foi lucrativa em todos os anos''.

Pedro Brito destacou que, na sua época, o banco do Ceará apresentou índice de inadimplência inferior, inclusive, ao do mercado privado. ''Os bancos privados trabalham com um índice de 3% do ativo e o do BEC era abaixo disso'', argumentou.

Sobre a empresa Yamacon Nordeste, Pedro Brito afirmou não lembrar se ela realizou alguma operação com o BEC. ''Já faz tanto tempo'', alegou. O ex-presidente do banco ressaltou que, durante sua gestão, o nível de transparência era total. ''Foram criados comitês para concessão de créditos. As operações começavam nas agências e, quando surgia alguma divergência, passava-se para um comitê do nível seguinte'', apontou.

O caso do banco do Estado motivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Ceará. A CPI vai apurar, inicialmente, denúncias de irregularidades durante a segunda gestão do governador Tasso Jereissati. Após reunião que terminou na sexta-feira à noite, os deputados chegaram a uma definição quanto ao número de representantes de cada partido na CPI. E até indicaram seus nomes.

O PSDB terá três integrantes: Moésio Loiola; Franciné Guedes e Manuel Veras. O PT, PPS, PSB, PMDB, PCdoB e PPB terão um representante cada. São eles: Mauro Benevides Filho (PPS); João Alfredo Telles (PT); João Bosco (PSB); Carlomano Marques (PMDB); Chico Lopes (PCdoB); e Valdomiro Távora (PPB). A Comissão se reúne na terça-feira para escolher o presidente, vice-presidente e relator.

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