O senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Jeferson Péres (PDT-AM), que fazem parte da comissão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar encarregada de investigar as denúncias contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), confirmaram ontem que vão convocar o presidente do BNDES, Francisco Gros, para dar explicações sobre o relatório do Banco do Estado do Pará (Banpará). O relatório foi feito em 1992, na época em que Gros presidia o Banco Central.

Tuma disse que o atual dirigente do BNDES precisa dar esclarecimentos ao Senado, já que, como presidente do BC, aprovou um parecer que vem sendo questionado pelo Ministério Público e pelos próprios senadores. O documento, assinado por Gros e pelo procurador do BC, José Coelho Ferreira, afirma não ter conseguido ''provas suficientes, robustas, convincentes, no sentido de, juridicamente, indiciar'' Jader.

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, também prometeu encaminhar hoje à comissão os relatórios do banco a respeito dos desvios de recursos do Banpará. Tuma informou que os extratos bancários encaminhados por Jader à Casa começarão a ser analisados por técnicos do BC. Embora tenha sido fornecida pelo senador do Pará no intuito de se defender das acusações sobre seu suposto envolvimento em corrupção, a documentação o incrimina ainda mais, já que revelam registros de seis aplicações relativas à fraude no banco estadual.

Hoje, Tuma e Péres devem aproveitar a sabatina do procurador do BC, José Coelho Ferreira, para fazer questionamentos a respeito de sua decisão. Coelho Ferreira, que foi indicado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para ser titular de uma cadeira no Superior Tribunal Militar (STM), será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

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