Na sindicância do BC, com a presença de um agente da PF, o ex-presidente do BC Francisco Lopes confirmou na sexta-feira que tinha conhecimento de que os bancos Marka e FonteCindam estavam muito alavancados no mercado futuro e disse que, na opinião dele, essas operações não deram prejuízo ao BC porque foram realizadas a preços superiores aos praticados pela bolsa de mercadorias.
No depoimento, Lopes também esclareceu as relações com personagens que atuam em torno do caso Marka. O economista informou ter estado uma uma única vez na sede do BC no Rio, com Rubens Novaes, apontado como intermediário do Marka para o pagamento de propinas a funcionários do BC, em troca de informações privilegiadas.
Lopes informou que conhece o investidor Francisco de Assis Moura, ligado ao Fundo Nikko, que operava com o Banco Marka no mercado futuro, mas que não tem nenhum relacionamento de amizade com ele. Ele disse que nunca recebeu, em casa, telefonema de banqueiros ou pessoas ligadas ao sistema financeiro para tratar de assuntos profissionais.
Lopes disse que conhece o ex-presidente do BNDES Eduardo Modiano, que foi seu sócio na empresa de consultoria Macrométrica. Segundo ele, Modiano deixou a sociedade por desentendimento em 1986 e, depois disso, não teve mais contato com ele.
O economista também contou a própria versão sobre a saída de Mauch, em 14 de janeiro. Segundo Lopes, Mauch teria informado-lhe que pretendia deixar o cargo, mas o faria após um período de transição e que ele o estava avisando previamente desta decisão. (A.E.)

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