Ex-presidente da CMTU presta depoimento sobre caso Xapuri
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O ex-presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) Lindomar Mota dos Santos nada soube dizer à promotora de Defesa do Patrimônio Público de Londrina Leila Voltarelli sobre o pagamento indevido de R$ 98 mil à empresa Xapuri (Biocollecta), em setembro de 2009, segundo a Controladoria-Geral do Município (CGM). Ele prestou depoimento ontem em procedimento instaurado na semana passada pelo Ministério Público (MP) estadual para apurar possíveis irregularidades no contrato de capina e roçagem entre a companhia e a empresa.
Santos, que esteve no MP acompanhado de advogada e não quis dar entrevista, disse que somente depois de ler o relatório da CGM tomou conhecimento de que o ex-diretor administrativo-financeiro da CMTU André Nadai (hoje presidente da companhia), interferiu na escolha das empresas que participariam do processo de dispensa de licitação. Com a justificativa de que não havia Plano Municipal de Saneamento aprovado, houve contratação emergencial do serviço. A CGM aponta a intromissão do ''alto escalão'' mesmo com um departamento de licitação na companhia. No depoimento, ele disse ''não ter certeza, mas parece que a pessoa responsável pelo setor de licitações era a Cristiane Hasegawa'', companheira de Nadai.
O ex-presidente da companhia também disse não saber se a Xapuri, com sede em Belo Horizonte, tinha cadastro como fornecedora da CMTU ou se já havia prestado serviço em outra cidade do Paraná. Ele também desconhece ''quem fez os contatos ou de que forma a CMTU contactou a Xapuri para obter seus preços''.
Segundo Santos, ''a base da remuneração da empresa era por metro quadrado'', mas, mesmo assim, a Xapuri recebeu a parcela de setembro de 2009 integralmente, com base em parecer da Procuradoria Jurídica de que o contrato era por preço global, ou seja, deveria receber mesmo que não prestasse o serviço contratado. Foi essa a justificativa de Nadai em entrevista à FOLHA na semana passada. O relatório da CGM foi entregue ao prefeito Barbosa Neto (PDT) em agosto do ano passado, mas ainda não houve pedido de ressarcimento aos cofres públicos. O contrato com a Xapuri foi rompido em janeiro de 2010 porque os serviços não era executados adequadamente.
Lindomar dos Santos deixou o cargo de presidente da CMTU no começo de 2010 e passou pelas secretarias de Planejamento e Fazenda. Ele saiu da administração em maio deste ano, no auge da operação Antissepsia, deflagrada pelo MP, que apurou fraudes na Saúde e encontrou dinheiro de origem não esclarecida na casa de Nadai. Este afirmou que os R$ 29 mil eram resultantes de empréstimo feito por Santos, que negou e demitiu-se.


