Ex-presidente da Câmara é alvo de nova ação penal
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O ex-presidente da Câmara de Londrina Orlando Bonilha e o ex-superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf) Oswaldo Moreira Neto estão sendo novamente acusados de concussão e formação de quadrilha em ação ajuizada pelo Ministério Público (MP) do Estado. A ação tramita na 5 Vara Criminal e acusa outras 21 pessoas pela coação contra familiares de pessoas falecidas para que contratassem o serviço funerário de tanatopraxia (conservação de corpos) de determinadas empresas. Funcionários da Acesf, o ex-vereador e outros envolvidos receberiam propina a cada procedimento que conseguissem vender.
Todos os acusados são réus em outras ações cíveis e criminais que tratam dos mesmos fatos. O esquema teria durado entre 2005 e 2008, durante a administração do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT). À época, Moreira Neto era o superintendente da Acesf, indicado por Bonilha. Na ação penal, os promotores relatam uma equipe de funcionários (a maioria já foi demitida do serviço público após processos disciplinares) que coagia psicologicamente os familiares das pessoas mortas.
Segundo o MP, eles se aproveitavam do estado emocional em razão da perda e diziam que o cadáver sofreria vazamento de líquidos corporais, mau cheiro durante o velório ou mesmo que seria antecipado o sepultamento. As informações não eram verdadeiras, mas muitas pessoas acabaram aceitando o procedimento, pagando valores superiores a R$ 1,2 mil pelo procedimento.
O MP aponta o ex-vereador como ''padrinho político'' do esquema. A defesa de Bonilha, no entanto, nega qualquer participação dele nos crimes. ''Meu cliente não participou disso. Não há qualquer prova contra ele. Sua única ligação com a Acesf foi a indicação do superintendente'', declarou o advogado Ronaldo Neves.
O caso da tanatopraxia foi um dos muitos que envolveu a legislatura anterior da Câmara de Londrina. Bonilha é réu colaborador em outras denúncias, tendo assumido que cobrou e recebeu propina e denunciado seus colegas vereadores. Isto, para o advogado, demonstra, que no caso da tanatopraxia, ele realmente não teria participação. ''Meu cliente ajudou a fazer uma limpeza ética na política de Londrina e confessou irregularidades, mas neste caso, ele nega peremptoriamente qualquer responsabilidade.'' O advogado de Moreira Neto não foi localizado pela reportagem.


