O ex-presidente da Câmara Municipal de Apucarana (Norte) Alcides Ramos Júnior (DEM), foragido desde 1º de dezembro, teria comprado votos na última eleição - quando foi o mais votado da cidade - em pelo menos 43 ocasiões, e abusado do poder político ao utilizar a estrutura do Legislativo para fazer campanha.
Em razão disso, promotores eleitorais protocolaram ação de investigação judicial eleitoral na 28 Zona Eleitoral de Apucarana, requerendo a cassação do registro ou da diplomação de Ramos Júnior (que não poderia voltar a exercer o cargo de vereador para o qual foi reeleito), e a inelegibilidade por oito anos. Depois da ordem de prisão, ele renunciou ao cargo de presidente da Câmara.
A solenidade de diplomação está marcada para hoje e Ramos, que está foragido, poderá obter o diploma por meio de procuração ou ir pessoalmente correndo o risco de ser preso. Sua defesa impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça, mas a liminar foi negada. Agora, a 2 Câmara Criminal, deve analisar o mérito do pedido.
A prisão de Ramos foi decretada pelo juiz da 2 Vara Criminal de Apucarana, José Roberto Silvério, que acatou pedido do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eduardo Augusto Cabrini. O ex-presidente e outras 14 pessoas, incluindo servidores concursados, comissionados e empresários, são acusados de formação de quadrilha e peculato.
Foram de escutas telefônicas desta investigação, conduzida por Cabrini, que surgiram as provas de compra de votos e abuso de poder econômico na última eleição. ''As interceptações telefônicas começaram em setembro e vislumbraram as práticas proibidas pela legislação que rege as eleições'', explicou o promotor Sérgio Migliari Salomão, que atua no Ministério Público Eleitoral em Apucarana, ao lado de Gustavo Marcel Fernandes Marinho e Vilmar Antônio Fonseca, que também assinam a ação.
Os promotores sustentam que Alcides Ramos, em parceria com assessores e cabos eleitorais, facilitou a realização de exames e consultas médicas, entregou muletas e óculos, prometeu serviço de corte de árvore, ofereceu churrasco, vale combustível e valores em dinheiro em troca de votos.
Já o abuso econômico ficou configurado com o uso, na campanha, de recursos e equipamentos da Câmara, como veículos, pagamento de lavagens de carros para particulares, cessão de servidores públicos municipais e procuradores do Legislativo para execução de serviços no comitê e fora dele, durante o horário de expediente normal dos servidores.
Para os promotores, ''escancarado está o abuso do poder econômico e político, eis que Alcides Ramos Júnior, no exercício do cargo de Vereador e Presidente da Câmara de Vereadores'' fez ofertas indevidas ''como se os votos fossem mercadorias que pudessem ser adquiridas à vista com desconto ou em suaves prestações''. A FOLHA deixou recado para André Vianna, advogado de Alcides Ramos Júnior, mas ele não retornou a ligação.

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