Ex-presidente da Acesf presta depoimento hoje
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O ex-superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) Osvaldo Moreira Neto será interrogado hoje pela manhã pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre as denúncias de irregularidades na venda de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres). Ontem pela manhã, o antecessor de Moreira Neto na Acesf, Sérgio Plínio, também compareceu ao Gaeco e negou irregularidades durante a sua gestão. As denúncias de que servidores da autarquia estariam pressionando famílias enlutadas para a realização da tanato, que em Londrina custa em média de R$ 1.200 a R$ 1.800, acabou derrubando Moreira Neto do cargo, no final da semana passada, cinco dias após se tornarem públicas.
No depoimento de hoje, o ex-superintendente também deverá ser questionado sobre as razões pelas quais teria apagado arquivos de seu computador de uso pessoal - conforme informações passadas ao Gaeco pela Controladoria do Município. O computador foi lacrado e está sendo enviado para a perícia técnica. Segundo o promotor do Gaeco, Jorge Fernando Barreto da Costa, os arquivos podem ser recuperados ''se não houve danos aos componentes do computador''.
O inquérito sobre as irregularidades na Acesf já conta com reclamações de mais de 70 famílias - 20 prestaram depoimento e as outras foram relacionadas no processo para serem ouvidas em juízo. Segundo o promotor, os crimes que estão sob apuração são corrupção e formação de quadrilha - o que significa que está sendo analisado possível envolvimento das empresas que realizam tanatopraxia como corruptoras ativas. Se este quadro vier a se confirmar, os funcionários citados seriam enquadrados por corrupção passiva. Os empresários já foram ouvidos pela FOLHA e negam as denúncias.
Nos próximos dias, o Gaeco deverá enviar cópia do procedimento investigatório para a Promotoria de Defesa do Consumidor. A investigação já acumula vários indícios de que os consumidores foram induzidos a comprar produto desnecessário e a alto custo, em razão da ausência de concorrência. Em depoimento já colhido pelo Gaeco, um funcionário público indica que as duas empresas que prestam o serviço dividiriam a demanda - a cada plantão da Acesf os cadáveres seriam enviados para uma das empresas. O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, não tem recebido a imprensa para falar sobre o assunto.


