Ex-presidente condena tentativa de privatização
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sábado, 26 de maio de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
O ex-presidente da Copel João Carlos Cascais apontou ontem possíveis prejuízos que a venda da Copel pode trazer ao Paraná num período de racionamento. Seu alerta foi colocado durante audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Foz do Iguaçu e pelo Fórum Paranaense de Entidades contra a venda da Copel.
Cascais relacionou a escassez de energia elétrica no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil à falta de investimentos por parte dos compradores das antigas estatais do setor. Elas sabiam, assim como o governo, que iria faltar energia para os consumidores. Mas preferiram ficar quietas porque estão mais interessadas em aumentar tarifas, afirmou o engenheiro elétrico, que trabalhou 27 anos na Copel. Segundo ele, o quadro, em caso de privatização, será repetido no Paraná.
O vereador Chico Brasileiro (PCdoB), autor do requerimento pedindo para o Legislativo de Foz realizar a audiência, considerou que a venda da Copel é nociva ao estado porque, conforme ele, trata-se de uma continuidade do modelo neoliberal adotado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O neoliberalismo de FHC e Lerner obriga o Estado a vender todo o patrimônio público, criticou.
Brasileiro lamentou ainda a ausência de um representante do Palácio Iguaçu e do presidente da Copel, Ingo Hubert, convidados oficialmente. Queríamos ouvir os dois lados, mas não foi possível, resumiu. O prefeito de Foz, Sâmis da Silva (PMDB), também não participou da discussão. Seu representante, Rui Golin, diretor superintendente do Foztrans (instituto municipal de trânsito), não permaneceu à mesa, nem discursou.
Em contrapartida, a audiência pública reuniu antigos aliados do governador Jaime Lerner (PFL), como o pefelista Arival Malaquias. Ele garantiu que se Lerner vender a Copel ou a Sanepar pedirá o desligamento do partido no mesmo dia. O deputado estadual Sérgio Spada (PSDB) reconheceu que era favorável a venda, mas mudou de opinião em respeito a opinião de 92% dos paranaenses contrários a privatização.


