Ao criticar a corrupção que para ele estaria instalada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o governador de Minas Gerais Itamar Franco apelou para os militares. ‘‘As Forças Armadas estão aquietadas. Institucionalmente é bom que fiquem assim, mas elas poderiam ajudar a combater a corrupção’’, afirmou o governador.
Itamar Franco fez questão de pedir cautela e mediu as palavras ao dar a declaração no discurso a empresários da Associação Comercial do Paraná. A intenção era deixar claro que não estava defendendo a volta do regime militar. ‘‘Quando falo de Forças Armadas estou falando dos clubes navais e militares que poderiam se manifestar contra a corrupção’’, afirmou.
O governo FHC foi bastante criticado pelo governador mineiro. Ele tentou vincular a administração federal a casos de corrupção, principalmente nos processos de privatização da Companhia Vale do Rio Doce e Sistema Telebras.
As divergências de Itamar e de FHC chegaram ao ponto de fazer com que o ex-presidente da República saísse em defesa do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), outro desafeto. Políticos chegaram a dizer que os dois poderiam formar uma aliança, idéia desmentida por Itamar. ‘‘Não tenho conversado com ele (ACM). Mas não posso aceitar que ele vire o lobo mau do País, apenas porque começou a apontar corrupção no governo’’, afirmou.
Itamar disse não concordar com a ‘‘execração’’ de ACM por ele mostrar erros no governo. ‘‘Ele era bajulado pelo presidente e pela mídia e de repente isso muda’’, lembrou.
Com vistas à eleição presidencial de 2002, Itamar Franco deixou claro que pretende disputar dentro do PMDB a candidatura a presidente da República. Hoje o PMDB tem a pré-candidatura declarada do senador gaúcho Pedro Simon. (C.M.)

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