Curitiba - O ex-presidente do Banco Araucária Alberto Dalcanalle Neto, que administrou o banco de 1990 a 2001, admitiu ontem que operava com remessa de dólares via contas CC-5 e tinha como um dos principais clientes o Banco Integración, do Paraguai. De acordo com ele, todas as operações eram normais e sofriam diariamente a fiscalização do Banco Central (BC). ''As operações eram fiscalizadas e monitoradas pelo Banco Central. Todas as operações eram devidamente registradas, cheque a cheque'', garantiu ele.
Dalcanalle não quis comentar as gravações telefônicas exibidas na audiência pública. ''Não escutei as gravações. Por isso, não vou comentá-las. Garanto que jamais operei de forma paralela. Nunca operei com laranjas. Nunca tive qualquer conta de laranjas ou pessoas fantasmas. Posso garantir isso'', complementou. O ex-banqueiro, que ficou no Araucária como presidente da fundação à liquidação, disse que o próprio Banco Integración tinha a autorização para operar não só do governo paraguaio, mas do BC do Brasil. ''Nunca sofri advertências pelas operações ou auditorias internas.''
Os relatórios do BC são usados sempre como argumento por Dalcanalle para garantir a transparência das ações. ''Eu não desconfiava do meu cliente (o Integración). Mesmo assim, registrava todas as operações e as fiscalizava. Acho que as denúncias que foram feitas contra mim e o Araucária são tecnicamente obsoletas. Eu nunca operei com doleiros'', destacou ele. O empresário já foi convocado para depor duas vezes na CPMI do Banestado e foi denunciado pelo Ministério Público (MP) federal por supostamente ter participado de lavagem de dinheiro.
''Acho que já fui prejudicado demais por causa dessas investigações, mesmo sem ter operado de forma irregular. A liquidação do Araucária aconteceu por causa disso. Houve um vazamento de informações errôneas que levou a um descrédito por parte dos clientes. Perdemos depósitos e liquidez. Dinheiro é uma mercadoria sensível'', considerou. Operavam as contas CC-5 em Foz do Iguaçu os bancos Araucária, Banestado, Real, Bemge e Araucária. ''Eu quero saber por que o Banco do Brasil nunca foi investigado. Garanto que lá tem muita coisa a ser verificada também'', questionou Dalcanalle.
Ruth Bandeira Wathely foi procurada ontem, mas não estava em casa. Ela também não atendeu ligações telefônicas.

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