Ex-prefeitos não temem auditoria
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quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Os ex-prefeitos de Maringá, Said Ferreira (sem partido) e Ricardo Barros (PPB), disseram ontem à Folha não terem receio das investigações promovidas pelo Tribunal de Contas (TC) na prefeitura a partir de 1986. Quatro auditores e um promotor, representante do Ministério Público (MP) no TC, estão desde segunda-feira em Maringá para verificar toda movimentação financeira do município nos últimos 14 anos. A auditoria foi provocada pela denúncia do MP, do desvio de R$ 2,6 milhões dos cofres públicos no período de dezembro de 1998 a março do ano passado.
Para Ferreira, que administrou Maringá entre 1983 e 1988, e depois de 1993 a 1996, as contas devem mesmo ser averiguadas. Já disse ao promotor que minhas contas devem ser analisadas, principalmente no período em que Paolicchi foi secretário, afirmou Ferreira. Luis Antônio Paolicchi, ex-secretário de Fazenda, é o principal acusado do desvio de R$ 2,6 milhões.
O deputado federal Ricardo Barros (PPB), que administrou Maringá de 1989 a 1992, acha que se existe indício de irregularidades, o TC tem mesmo que fazer a auditoria. Ele lembrou que durante o tempo que esteve à frente da prefeitura, Paolicchi chegou a ocupar o cargo de diretor da secretaria. Na minha época o prefeito não assinava cheques, o que era feito por dois ou três pessoas, entre elas o secretário, o diretor e o tesoureiro, disse. Mas o cargo de diretor era de segundo escalão.
Barros afirmou ainda que, durante boa parte do mandato, a administração de Maringá tinha um gerente municipal, que cuidava das questões burocráticas e tinha mais tempo que o prefeito. Acho que essa condição afasta a suspeita de irregularidades, afirmou. O deputado lembrou ainda que no período que foi prefeito, Paolicchi apresentava uma condição mais humilde.
Para Barros o fato de Paolicchi prestar assessoria a várias prefeituras da região era um fator positivo para Maringá. Tínhamos uma administração inovadora e vários servidores eram requisitados para prestar serviços a outros municípios, afirma. O ex-prefeito revelou que durante a gestão não teve motivos para investigar irregularidades e diz não saber o mecanismo que possibilitou o desvio de R$ 2,6 milhões.


