Arquivo Folha

Tolentino, Cascavel: vaga na AL


Said, de Maringá, está indefinido


Franco quer neutralizar adversário


Greca, de Curitiba: Senado


Bueno, de Campo Mourão: Câmara



Cheida: de olho no governo



Pelo menos sete ex-prefeitos das principais cidades do Paraná já iniciaram processo de articulação para garantir mandatos no Legislativo em 98. Sem tinta na caneta e com sede de poder, eles usam dos meios que dispõem para viabilizar suas candidaturas e recuperar o tempo perdido desde dezembro de 96, quando deixaram de ser o centro das decisões.
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PFL) faz o que pode para ser o candidato do governador Jaime Lerner (PFL) ao Senado Federal. Desde que assumiu a secretaria do Planejamento em janeiro de 97, o atual chefe da Casa Civil não esconde as suas pretensões. Fez o sucessor, Cássio Taniguchi (PFL), mas até o momento não conseguiu arrancar declaração de apoio formal.
Eleito com 27 mil votos em 92, Rubens Bueno (PTB) deixou a Prefeitura de Campo Mourão com a esperança de ser o vice numa chapa integrada pelo PSDB, seu antigo partido. Mas os planos do ex-prefeito mudaram depois que Lerner foi rejeitado no PSDB, em maio do ano passado. Bueno foi forçado a abandonar o ninho tucano no início de outubro e hoje quer ser candidato à Câmara Federal.
Sem função política, dedica-se ao Instituto Gralha Azul, órgão apartidário voltado à formação e à discussão de temas políticos. Bueno diz que o sucessor, Tauílio Tezelli (PSDB), será um dos seus principais cabos eleitorais na eleição em 98. ‘‘Para a gente que está sem mandato e longe do poder, as coisas ficam ainda mais difíceis’’, constata.
O ex-prefeito de Guarapuava Cesar Franco (PTB) não teve a mesma ‘sorte’ de Bueno e de Greca. Não conseguiu fazer sucessor e tem frente à Prefeitura Vitor Hugo Burko (PSDB), um aliado do governo, mas seu inimigo político-pessoal. Franco está cotado para uma das cadeiras na Assembléia Legislativa. Para compensar o fim do seu mandato, foi convidado para integrar a equipe de Lerner, e chefia o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).
Mas Concorrer ao Legislativo estadual teria ainda outra razão: neutralizar a ação política do também adversário local, o deputado estadual Cesar Silvestri, aliado de Burko e filiado no PTB.
Paulo Cunha Nascimento (PPB) já comandou o município de Ponta Grossa. Ainda não admite abertamente seus planos políticos, mas seus amigos mais próximos garantem que ele quer ser deputado estadual. Nascimento é empresário do ramo de sementes e está voltado às questões partidárias locais para manter-se em evidência perante os eleitores.
Em Cascavel, o ex-prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB) diz que esperava disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados, mas o alto custo da campanha o ‘empurrou’ a um ‘vôo’ mais baixo. ‘‘Não tenho condições financeiras. Por isso devo sair para deputado estadual’’, explica. Tolentino ocupou a cadeira na Assembléia em dois mandatos e foi prefeito duas vezes. ‘‘Por mais que faça outra coisa, o povo me enxerga com a cruz do político e, modéstia à parte, os grandes projetos de Cascavel fui eu quem realizei’’, gaba-se.
O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB) articula sua candidatura a deputado estadual e pretende fazer dobradinha com o filho, Sâmis da Silva (PMDB), atual deputado estadual e pré-candidato a deputado federal. Dono de um jornal em Foz, Dobrandino não tem tido dificuldades para ser lembrado. Além de prefeito, ele foi vereador e deputado estadual.
Em Maringá, Said Ferreira (PMDB) deve disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mas seus assessores não descartam a possibilidade de ele ser vice de Roberto Requião na chapa para o governo do Estado. ‘‘Ele tem feito vários contatos e conversado muito sobre o assunto’’, diz o assessor de Ferreira, Osvaldo Reis. Ex-prefeito em duas gestões (92-96 e 83-88), além de deputado federal, Said Ferreira pretende usar como marca as obras de suas administrações. ‘‘É fácil lembrar dele. Em cada esquina tem uma obra diferente’’, propagandeia Reis.
Ao contrário dos colegas, o ex-prefeito de Cornélio Procópio, Márcio Pozzi (PTB), diz que não vai disputar nenhum cargo político. ‘‘Desgasta muito e eu perdi muito dinheiro’’, justifica ele, que voltou a se dedicar à sua profissão: médico. Melhor para o também ex-prefeito Hermes da Fonseca, filiado recentemente ao PT, que vai brigar por uma cadeira na Assembléia Legislativa. Os dois são rivais. Pozzi sucedeu a Fonseca e o irmão dele, José Antônio, entrou na prefeitura no lugar de Pozzi. (Leandro Donatti e Patrícia Zanin)

mockup