Ex-prefeitos lutam para voltar ao poder
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de janeiro de 1998
Curitiba e Londrina 
Arquivo Folha
Tolentino, Cascavel: vaga na AL
Said, de Maringá, está indefinido
Franco quer neutralizar adversário
Greca, de Curitiba: Senado
Bueno, de Campo Mourão: Câmara
Cheida: de olho no governo
Pelo menos sete ex-prefeitos das principais cidades do Paraná já iniciaram processo de articulação para garantir mandatos no Legislativo em 98. Sem tinta na caneta e com sede de poder, eles usam dos meios que dispõem para viabilizar suas candidaturas e recuperar o tempo perdido desde dezembro de 96, quando deixaram de ser o centro das decisões.
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PFL) faz o que pode para ser o candidato do governador Jaime Lerner (PFL) ao Senado Federal. Desde que assumiu a secretaria do Planejamento em janeiro de 97, o atual chefe da Casa Civil não esconde as suas pretensões. Fez o sucessor, Cássio Taniguchi (PFL), mas até o momento não conseguiu arrancar declaração de apoio formal.
Eleito com 27 mil votos em 92, Rubens Bueno (PTB) deixou a Prefeitura de Campo Mourão com a esperança de ser o vice numa chapa integrada pelo PSDB, seu antigo partido. Mas os planos do ex-prefeito mudaram depois que Lerner foi rejeitado no PSDB, em maio do ano passado. Bueno foi forçado a abandonar o ninho tucano no início de outubro e hoje quer ser candidato à Câmara Federal.
Sem função política, dedica-se ao Instituto Gralha Azul, órgão apartidário voltado à formação e à discussão de temas políticos. Bueno diz que o sucessor, Tauílio Tezelli (PSDB), será um dos seus principais cabos eleitorais na eleição em 98. Para a gente que está sem mandato e longe do poder, as coisas ficam ainda mais difíceis, constata.
O ex-prefeito de Guarapuava Cesar Franco (PTB) não teve a mesma sorte de Bueno e de Greca. Não conseguiu fazer sucessor e tem frente à Prefeitura Vitor Hugo Burko (PSDB), um aliado do governo, mas seu inimigo político-pessoal. Franco está cotado para uma das cadeiras na Assembléia Legislativa. Para compensar o fim do seu mandato, foi convidado para integrar a equipe de Lerner, e chefia o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).
Mas Concorrer ao Legislativo estadual teria ainda outra razão: neutralizar a ação política do também adversário local, o deputado estadual Cesar Silvestri, aliado de Burko e filiado no PTB.
Paulo Cunha Nascimento (PPB) já comandou o município de Ponta Grossa. Ainda não admite abertamente seus planos políticos, mas seus amigos mais próximos garantem que ele quer ser deputado estadual. Nascimento é empresário do ramo de sementes e está voltado às questões partidárias locais para manter-se em evidência perante os eleitores.
Em Cascavel, o ex-prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB) diz que esperava disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados, mas o alto custo da campanha o empurrou a um vôo mais baixo. Não tenho condições financeiras. Por isso devo sair para deputado estadual, explica. Tolentino ocupou a cadeira na Assembléia em dois mandatos e foi prefeito duas vezes. Por mais que faça outra coisa, o povo me enxerga com a cruz do político e, modéstia à parte, os grandes projetos de Cascavel fui eu quem realizei, gaba-se.
O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB) articula sua candidatura a deputado estadual e pretende fazer dobradinha com o filho, Sâmis da Silva (PMDB), atual deputado estadual e pré-candidato a deputado federal. Dono de um jornal em Foz, Dobrandino não tem tido dificuldades para ser lembrado. Além de prefeito, ele foi vereador e deputado estadual.
Em Maringá, Said Ferreira (PMDB) deve disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mas seus assessores não descartam a possibilidade de ele ser vice de Roberto Requião na chapa para o governo do Estado. Ele tem feito vários contatos e conversado muito sobre o assunto, diz o assessor de Ferreira, Osvaldo Reis. Ex-prefeito em duas gestões (92-96 e 83-88), além de deputado federal, Said Ferreira pretende usar como marca as obras de suas administrações. É fácil lembrar dele. Em cada esquina tem uma obra diferente, propagandeia Reis.
Ao contrário dos colegas, o ex-prefeito de Cornélio Procópio, Márcio Pozzi (PTB), diz que não vai disputar nenhum cargo político. Desgasta muito e eu perdi muito dinheiro, justifica ele, que voltou a se dedicar à sua profissão: médico. Melhor para o também ex-prefeito Hermes da Fonseca, filiado recentemente ao PT, que vai brigar por uma cadeira na Assembléia Legislativa. Os dois são rivais. Pozzi sucedeu a Fonseca e o irmão dele, José Antônio, entrou na prefeitura no lugar de Pozzi. (Leandro Donatti e Patrícia Zanin)


