O advogado Antônio Mansano Neto protocolou na 1ª Vara Cível e na 3ª Vara Criminal de Maringá petição comunicando os dois juízes, Mário Seto Takeguma e Shiroshi Yendo, respectivamente, a decisão do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido) de devolver o dinheiro desviado do município. ‘‘Trata-se apenas de um comunicado oficial do que já foi divulgado, mas necessário para iniciar o processo de devolução’’, explicou.
Mansano garantiu que nos levantamentos realizados pela defesa na movimentação financeira do ex-prefeito, R$ 1,3 milhão foi parar na conta ou beneficiou Gianoto de alguma forma. O advogado concordou, no entanto, que será preciso aguardar uma posição da Justiça para iniciar a devolução.
Na esfera cível Gianoto responde por improbidade administrativa, depois que o Ministério Público (MP) descobriu R$ 549 mil desviados da prefeitura e depositados na conta particular dele. Mansano alegou que o valor do MP está errado, e que na realidade Gianoto teve R$ 449,8 mil depositados em recursos do município. ‘‘Sem saber de onde vieram’’, emendou.
Na área criminal, o juiz Shiroshi Yendo ordenou o sequestro de máquinas, equipamentos e da safra das propriedades de Gianoto e do ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, pagos com dinheiro público. Segundo Mansano, o valor a ser devolvido é pouco maior que R$ 850 mil. A proposta imediata é de abrir mão das duas colheitadeiras, que já estão em Maringá. São duas New Holland de última geração, cada uma avaliada em R$ 100 mil.
O advogado afirmou que pretende ainda entrar com uma ação contra Paolicchi, cobrando todo valor depositado irregularmente. A devolução do que recebeu ilegalmente não modifica o processo que corre contra Gianoto. ‘‘Sabemos disso, mas o prefeito está reconhecendo que foi beneficiado com dinheiro público sem saber’’, alegou. Se aguardasse o julgamento do processo, o ex-prefeito também teria que devolver o que recebeu ilegalmente. ‘‘A diferença é que isso poderia demorar anos.’’
O advogado Wagner Pacheco, que faz a defesa de Paolicchi, disse ontem que vai aguardar a decisão do Tribunal Reginal Federal (TRF), sobre o pedido de habeas-corpus, para liberar uma entrevista com o cliente. O TRF julga o recurso na quinta-feira.

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