Ex-prefeito nega uso de disque-sexo
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
O ex-prefeito de Vera Cruz do Oeste (56 quilômetros a oeste de Cascavel), Valdeci Teixeira (PDT), o Padeiro, negou ontem que tenha usado o telefone celular oficial da administração para ligações para o disque-sexo. Ele confirmou, porém, que várias chamadas foram feitas para o serviço, mas por um vigia da prefeitura que recebeu como punição uma suspensão de dez dias. Isso aconteceu há cerca de 10 meses por um vigia do parque de máquinas, que confessou ter feito as ligações, contou ontem o ex-prefeito.
Segundo Padeiro, o vigia alegou, na ocasião, que se sentia muito sozinho e por isso fazia as ligações. O funcionário teria dito que ligou, gostou e repetiu a dose até a conta telefônica chegar. O valor chegaria a R$ 400,00.
Não tenho o nome dele de cabeça, mas ele é conhecido como Tonho, contou o ex-prefeito, que também não se recorda se o vigia ressarciu os cofres públicos pelo uso indevido do telefone público. As ligações eram feitas durante a madrugada.
A informação sobre o uso do celular oficial do ex-prefeito para o serviço de disque-sexo também foi contestada pelo prefeito Marcos Vilas Boas Pescador (PT). Ontem, ele disse que as ligações eróticas foram feitas de um telefone fixo da prefeitura, provavelmente por funcionários e que o deputado estadual Irineu Colombo (PT) se equivocou ao repassar a informação à Folha.
Procurado pela reportagem, o deputado disse que foi informado por fontes da própria prefeitura de que as ligações haviam sido feitas do celular da prefeitura. Ele disse que não concorda que o povo tenha que pagar a conta, mesmo que as ligações tenham sido feitas de telefone fixo. É necessário apurar quem fez as ligações e impedir que esse tipo de ligação seja feito de uma prefeitura, disse.
O prefeito confirmou que algumas irregularidades foram constatadas na conta do celular da administração, quando teriam sido feitas ligações em horários fora do expediente de trabalho. Pescador disse que houve várias ligações para Santa Catarina que, juntas, somam R$ 3,2 mil. Vamos investigar o caso, mas parece que foram algumas ligações particulares. Se for provado, elas deverão ser ressarcidas, acrescenta.
Em relação ao valor de R$ 400,00, gastos em ligações para o disque-sexo, Pescador disse ainda não ter certeza se o valor é realmente esse, pois as informações foram passadas por alguns funcionários e precisam ser conferidas. Queremos saber quem fez essas ligações, pois vamos exigir o ressarcimento dos gastos, avisa.
O prefeito informou que a dívida deixada pela antiga administração ultrapassa R$ 2,8 milhões. Desse montante, R$ 1,6 milhão é a dívida com o INSS, R$ 500 mil com os fornecedores e servidores, R$ 400 mil em consignação, sendo a maior parte para o Fundo de Previdência do Município, cuja porcentagem da administração não era repassada pelo ex-prefeito, além de outros R$ 317 mil, de dívidas deixadas por administrações passadas. A arrecadação mensal da prefeitura é de R$ 300 mil e a expectativa para o orçamento é de R$ 4,5 milhões.
Pescador confirmou a informação do deputado estadual de contratar uma empresa de auditoria para fazer uma devassa nas contas do município. O ex-prefeito admitiu ter deixado dívidas para o antecessor, mas alegou falta de recursos.


