O ex-prefeito de Pinhais, Sigfried Boving (PFL), mais conhecido como ‘‘Zico’’, classificou como infundadas as denúncias contra ele, acusado de dar um calote aos funcionários da Metalúrgica Unidas, situada no município vizinho de Curitiba, na Região Metropolitana. As instalações da empresa, onde foram encontrados 200 simuladores de voto, foram incendiadas anteontem à noite.
Visivelmente nervoso, Zico deu ontem uma entrevista em Curitiba, alegando que seus adversários ‘‘estão insuflando a população’’ contra ele. O ex-prefeito se considerou injustiçado, alegando que estão denegrindo a sua imagem pessoal. Ele disse que não pode ser relacionado com a metalúrgica, já que não é mais sócio da empresa.
‘‘Em 1995, foi estabelecido um contrato de arrendamento com o Marcos Roberto Lopes e sua esposa Rosana Farias Lopes, que passaram a administrar a metalúrgica’’, afirmou o ex-prefeito. Três anos depois, segundo ele, Lopes comprou a empresa e a marca fantasia (Unidas Lustres) que, no dia 27 de agosto, passou a se chamar Unidas Sistema de Iluminação e Decoração.
Segundo Zico, nessa transação, Lopes ficou com o maquinário e também como responsável pelos funcionários, incluindo os encargos trabalhistas. Além disso, teria firmado um contrato de compra do prédio da metalúrgica. ‘‘Mas em 14 de abril de 1999, ele viu que não podia pagar pelo imóvel e o devolveu, passando a pagar aluguel’’, disse. Apesar da retomada do imóvel, ele disse ter pago R$ 75 mil.
Em 24 de novembro do ano passado, o ex-prefeito disse que recuperou este dinheiro com a venda da propriedade para Oscar Luiz dos Santos, pelo valor de R$ 100 mil. O último pagamento dessa transação, segundo ele, acontece no próximo dia 15. ‘‘Depois da venda, pedi para Rosana Lopes que desocupasse o prédio. E somente depois soube pela imprensa a forma como os maquinários foram retirados’’, alegou.
Quanto aos simuladores de urna eleitoral, encontrados na metalúrgica na terça-feira, Zico disse que apenas cedeu espaço para que o diretório do PFL de Pinhais guardasse os equipamentos. As urnas ficaram ali, já que a metalúrgica não tinha sido desocupada. Por esse motivo, teriam sido encontradas fotos de sua família em um quarto, anexo ao barracão da empresa.
Durante a entrevista, Zico refutou também acusações de que teria deixado R$ 28 milhões de dívidas para atual administração. Segundo ele, o débito é de R$ 15 milhões, referentes a atrasos em repasses ao Fundo de Previdência dos Funcionários e também a financiamentos de curto, médio e longo prazos. Nesse mesmo bolo, estariam os pagamentos do 13º salário de 800 funcionários da prefeitura e da Associação de Proteção a Maternidade e Infância (APMI). ‘‘Não foi feito o pagamento por problema de fluxo de caixa’’, alegou.
Para Zico, é incoerente a afirmação de que os atrasos no pagamento do 13º aconteceram por contratar pessoal pela APMI para engrossar sua campanha. ‘‘A APMI era usada para agilizar os trabalhos na área de saúde’’, disse. ‘‘E os contratados pela APMI teriam que receber da prefeitura, já que o convênio com o município deveria durar por mais tempo, para não deixar desfalcados os serviços essenciais’’.

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