Ex-prefeito nega formação de quadrilha
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2001
Benedito Teles<br>De Santo Antônio da Platina 
O ex-prefeito de Jundiaí do Sul (64 km ao sul de Jacarezinho) Walter Abras (PTB) negou ontem sua participação em uma quadrilha especializada em receptação de veículos e em falsificação de notas. Acusado por esses crimes, ele foi preso na semana passada, durante uma operação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), de Curitiba, e do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco). Desde quarta-feira o ex-prefeito está na delegacia de Santo Antônio da Platina.
''É uma injustiça. Eu me afastei da política mas, mesmo assim, continuo visado'', disse Abras, que concedeu entrevista à Folha acompanhado de seus advogados e de alguns familiares. Durante a ação da semana passada, outras cinco pessoas foram presas e também foram apreendidas armas, notas fiscais e veículos irregulares.
As apreensões ocorreram na chácara de Abras e na casa da ex-mulher dele, a vice-prefeita de Jundiaí do Sul, Ana Maria Andrade Abras (PSDB). Ela também está presa em Santo Antônio, acusada de porte ilegal de armas. Ontem, a vice não quis se pronunciar sobre o caso, mas, através de seus advogados, negou as acusações.
O ex-prefeito admitiu que as armas encontradas na casa da vice-prefeita são de sua propriedade, mas alegou que faziam parte de uma coleção particular. ''Adquiri armas de um colecionador, mas garanto que nunca foram usadas'', afirmou Abras, que estava tranquilo, mas se emocionou em alguns trechos da entrevista.
Sobre a suspeita de receptação e de irregularidades nos veículos apreendidos em sua chácara, Abras afirmou que tudo foi comprado regularmente de particulares e de concessionárias. Segundo ele, a transferência também foi legal. Questionado sobre o material usado para a remarcação de veículos, o ex-prefeito afirmou que são equipamentos que pertenciam aos antigos donos de uma oficina adquirida por ele.
Abras também assegurou que a acusação de roubo de caminhão não será provada. Ele alegou que estava doente e retornava de viagem no dia do roubo. ''Não poderia ter sido eu'', afirmou.
Na opinião de Abras, prenderam a vice-prefeita porque queriam ofendê-lo. Ele assegurou que não há nenhum envolvimento da ex-prefeita nas irregularidades citadas. ''A oposição comemora nossas dificuldades, mas a comunidade sabe que somos inocentes.''
A promotora de Justiça em Ribeirão do Pinhal, Kele Cristiane Diogo Bahena, adiou para hoje o oferecimento da denúncia, que deveria ocorrer ontem. Ela disse que o prazo foi prorrogado por causa do número de envolvidos e dos crimes.


