Marcelo Almeida/Folha de LondrinaSalomão sai acompanhado por seguranças da PF: pedido de clemênciaO ex-prefeito de Morretes Júlio Salomão (PTB) prestou ontem à tarde o seu primeiro depoimento à 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Curitiba. Ele chegou algemado por volta das 15 horas, e deu as informações ao juiz federal Márcio Rocha acompanhado por dois seguranças da Polícia Federal, familiares e pelos advogados de defesa Fernando Vernalha Guimarães e o filho do ex-governador Mário Pereira, Luiz Fernando Pereira.
Salomão está preso na Polícia Federal desde o último dia 4 de agosto. Hoje é o vigésimo terceiro dia da sua detenção. Ele é acusado de cometer o crime de agiotagem clandestina através de uma factoring, a Duplicred Fomento Mercantil Ltda. O depoimento durou cerca de 40 minutos. Salomão pediu ao juiz federal que relaxasse a prisão preventiva, que o obriga a ficar na cela especial da PF até o julgamento de mérito do processo, ainda sem data definida.
Um dos momentos mais tensos do depoimento, aberto ao público, foi quando o ex-prefeito de Morretes pediu efusivamente a sua liberação da PF ao juiz. ‘‘O senhor deve ser cristão. Peço encarecidamente que como cristão e filho de Deus me dê a chance de sair da prisão. Quebre o meu sigilo bancário e telefônico, mas me dê o direito de me defender’’, implorou. Rocha disse que não pode fazer nada, e que o ex-prefeito deve aguardar decisão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre que aprecia um habeas corpus ajuizado pelos advogados de defesa.
O ex-prefeito alega que tem endereço fixo e que não poderia ter sido condenado à revelia no processo administrativo instaurado pelo Banco Central, o primeiro a rastrear, com uma sindicância, as supostas irregularidades cometidas pela factoring. ‘‘De 92 a 96 residi em Morretes e de junho do ano passado para cá fiquei em Curitiba. Não vou fugir para os EUA’’, assegurou, oferecendo seu passaporte como garantia.
Ele disse ter montado a factoring, em Curitiba, com o dinheiro da rescisão trabalhista com o Banco Bamerindus, para o qual prestou serviços durante 16 anos. ‘‘Vendi algumas fazendas do Pará e montei o negócio, que na época era muito comum’’, defende-se. ‘‘A factoring nunca deu lucro e servia apenas para descontar duplicatas’’, garante.
Paralelo ao processo na 2ª Vara Criminal Federal, Júlio Salomão responde por três outras ações. Acusado de improbidade administrativa, de nomear parentes, e de passar cheques frios na praça, Salomão perdeu a Prefeitura de Morretes em 10 de junho de 96.

mockup