Curitiba - O ex-prefeito de Guaratuba (litoral do Paranaguá) José Ananias dos Santos (PMDB) e outras 17 pessoas foram presas ontem acusadas de participar de uma quadrilha que explorava a extração ilegal de palmito Juçara no litoral. Ananias é identificado pelo delegado da Polícia Federal (PF) em Paranaguá, Jorge Fayad, como o principal beneficiário do esquema. Também estão envolvidos no caso o procurador do município, Jean Colbert Dias, o fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Francisco Antônio de Oliveira e o sargento da Polícia Militar (PM) Valmir Santana Filho, que atua no Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde.
No total, 18 dos 19 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal foram cumpridos. Até o fechamento desta edição, o vice-prefeito e filho de Ananias, José Ananias Santos Júnior, - que também é acusado de participar do crime - ainda não havia sido preso. Segundo o procurador da República no litoral, Alessandro José Fernandes de Oliveira, várias denúncias enviadas à PF e ao Ministério Público Federal (MPF) davam conta de que havia o envolvimento do ex-prefeito no esquema de extração ilegal e venda do palmito.
''Essa investigação estava parada até que o MPF solicitou autorização para realizar escutas telefônicas que nos ajudaram a obter provas contra os envolvidos'', conta. Segundo Oliveira, outras prisões devem ocorrer nos próximos dias, inclusive de outros servidores públicos.
O esquema envolvia a Indústria de Conservas Palmeira Ltda., de propriedade de Ananias. ''A extração do palmito era realizada em áreas de proteção ambiental, como o Parque Nacional de Saint-Hilaire, e comercializadas pela empresa como se tivessem origem em áreas com autorização de extração'', conta Fayad.
A PF tem 30 dias para concluir o inquérito e denunciar os envolvidos. Sete dos 18 presos estão detidos no Quartel da Cavalaria, em Curitiba, por determinação judicial. Os demais estão na cadeia pública de Paranaguá e nas Delegacias da Polícia Civil em Antonina e Morretes.
Em nota, a prefeita de Guaratuba, Evani Justus, informou que irá aguardar o andamento do inquérito para decidir se serão tomadas medidas contra os servidores municipais envolvidos no caso. Evani disse que o trabalho na prefeitura continua normalmente e que ela foi pega de surpresa pela notícia.

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