Ex-prefeito é preso acusado de desvio
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
Lucinéia Parra 
O ex-prefeito de Santa Isabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí), Luiz Eduardo Casagrande (PDT), está preso na cadeia local e os seus advogados ainda estudam se vão recorrer da decisão do Tribunal de Justiça ou entrar com pedido de habeas-corpus. Casagrande foi preso na tarde de anteontem na casa dele, condenado pelo TJ por desvio de recursos da administração pública municipal no período de 1989 a 1992.
Ao todo, o ex-prefeito foi condenado por 14 tipos de irregularidades, a maioria relacionadas à compra de grandes quantidades de produtos alimentícios destinados ao gabinete dele e ao setor rodoviário. Na lista das irregularidades estão a compra de 3.534 quilos de carnes, 10.502 litros de leite, 622 quilos de queijo e 227 caixas de manteiga.
Há ainda irregularidades no pagamento de fotos e filmagens. Todas as despesas eram creditadas ao gabinete do ex-prefeito e setor rodoviário. Outra irregularidade que chama a atenção é o uso de dinheiro público para pagamento de aluguel da casa do delegado.
Casagrande foi condenado a seis anos de prisão. Ele foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Santa Isabel do Ivaí antes de assumir o mandato na prefeitura em 1989. Apesar de ter formação universitária, Casagrande, que é professor de Educação Física há 25 anos, não está em cela especial.
A cela especial só existe para a pessoa até o julgamento, mas neste caso, o ex-prefeito já foi condenado e ele terá que cumprir a pena em cela comum, explica o delegado da cidade, Jairo dos Santos. Casagrande está junto com outros quatro presos. A cadeia de Santa Isabel do Ivaí tem capacidade para seis detentos.
O ex-prefeito disse ontem à Folha, por telefone, que foi mal assessorado dentro da prefeitura. Ele disse que a maior parte dos alimentos comprados era para a creche e para funcionários do pátio rodoviário. A gente quando é prefeito quer ajudar todo mundo, principalmente as pessoas carentes.
Diante das dificuldades da população, comprei os produtos que foram doados à comunidade, justificou. Ele disse que não sabia que estava comentendo irregularidades ao fazer as compras para o gabinete. Os ex-prefeitos faziam desta forma; os prefeitos de outros municípios da região, na época, também faziam o mesmo, então eu não podia imaginar que era irregular.
Alegando inocência, o ex-prefeito afirmou que não conhecia os caminhos legais para aquisição dos produtos com o uso do dinheiro público. Eu perguntava o que era possível fazer para ajudar a população. O contador da prefeitura, que era meu inimigo político, me dizia o que podia ser feito e trazia os documentos para eu assinar. Casagrande acredita que foi vítima de uma trama política.


