A Justiça decretou ontem a prisão preventiva dos irmãos José Augusto Beck Lima, ex-prefeito de Laranjeiras do Sul, Marco Aurélio Beck Lima, ex-secretário de Indústria e Comércio de Cascavel, e a irmã deles, Lígia Maria Lima de Castro. Também foi decretada a prisão do marido de Lígia Maria, Vanderlei Castro. Os quatro são acusados de estelionato e apropriação indébita, por terem lesado 700 pessoas e causado um prejuízo de R$ 4 milhões, segundo o Ministério Público (MP), numa empresa que captava investimentos.
A prisão foi pedida pelo promotor de Laranjeiras do Sul (138 km a leste de Cascavel), Marco Aurélio Tavares, autor das denúncias. Segundo ele, o juiz Pedro Henrique Betio também decretou o sequestro e o arresto dos bens dos envolvidos. ‘‘Há fortes indícios de que os bens móveis e imóveis tenham sido adquiridos através do dinheiro desviado’’, afirmou. Até ontem, a Polícia Civil não havia encontrado nenhum dos acusados para cumprir o mandado de prisão.
Há três meses, o promotor investiga denúncias contra os quatro acusados. O alvo é a Jabel Assessoria e Planejamento, pertencente a José Augusto, Vanderlei e Lígia, e que captava recursos prometendo pagar juros acima do mercado.
Segundo o promotor, em maio foi instaurado um procedimento administrativo e, posteriormente, um procedimento policial contra a Jabel. ‘‘Ficou comprovado que esta empresa captava dinheiro de credores e o remetia para a empresa M.A.B. Lima, para investir no mercado paralelo’’, relatou. ‘‘Depois o rendimento voltava para a Jabel para o resgate do depósito.’’
O promotor relatou ainda que foi constatado pelas receitas Estadual e Federal que a M.A.B. Lima não existe desde 1995 e a Jabel não tem autorização do Banco Central para atuar no mercado financeiro. ‘‘Em outras palavras, as duas trabalhavam irregularmente’’, afirmou.
Através de um mandado de busca e apreensão, o promotor conseguiu alguns relatórios onde constavam os nomes de 436 credores, com valores totalizando R$ 1,1 milhão. Ele informou que desde o final de 99, a empresa parou de pagar os credores, sendo que o trabalho foi interrompido totalmente em dezembro do ano passado.
O promotor acredita que o valor do calote possa ser até quatro vezes superior ao que já foi levantado e que cerca de 700 pessoas tenham sido lesadas. ‘‘Com base no processo, chegamos à conclusão que esse dinheiro foi desviado para o patrimônio deles’’, afirmou Tavares.

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