Ex-prefeito é denunciado por desvio
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Maurício Borges De Ivaiporã 
O ex-prefeito de Ivaiporã, padre Luis Pereira (PFL), popularmente conhecido por padre Luisinho, foi denunciado ontem na Procuradoria Regional do Trabalho, em Curitiba, por desviar dinheiro de ações trabalhistas contra a prefeitura, lesando servidores municipais. A fraude foi detectada em auditoria que está sendo feita na administração, por determinação do prefeito Pedro Wilson Papin (PTB).
De acordo com estimativas do assessor jurídico do município, Juarez Carneiro de Lima, e do chefe de gabinete, Carlos Roberto de Andrade, teriam sido desviados cerca de R$ 400 mil em negociações fraudulentas, prejudicando os autores das ações trabalhistas. O primeiro lote de processos pagos de forma irregular já foi entregue ao procurador regional do Trabalho, Ricardo Bruel de Oliveira.
A documentação contém todos os valores pagos pela prefeitura com cheques nominais - inclusive um já rastreado e que foi depositado na conta do ex-prefeito padre Luisinho. Os documentos também apresentam declarações de servidores lesados, comprovando a fraude.
O assessor jurídico Juarez Carneiro de Lima contou que conforme depoimentos de autores de ações trabalhistas, todo o esquema teria sido coordenado pelo ex-assessor jurídico do município e também ex-prefeito, Mélvis Michiuti, com anuência do então prefeito padre Luisinho. Eles procuravam os reclamantes e frustravam sua expectativa de receber o dinheiro das ações, propondo uma quantia irrisória para que desistissem e assinassem uma procuração, outorgando poderes para que um laranja negociasse a pendência com a prefeitura, explicou Lima.
De posse de cópias de cheques já rastreados, da relação de pagamentos fictícios efetuados aos reclamantes, bem como dos verdadeiros valores recebidos pelos servidores lesados, o chefe de gabinte Carlos Roberto Andrade sustenta que havia um esquema para compra das trabalhistas. Depois de pagar em média R$ 3 mil por uma ação, o processo passava por um cálculo de correção e concessão de todos direitos possíveis, elevando substancialmente o valor da indenização, que em alguns casos chegava a R$ 30 mil ou até a R$ 50 mil, revelou Andrade. Segundo ele, os cheques eram emitidos pela prefeitura, endossados pelo próprio prefeito ou por um procurador e depositados na conta do padre Luisinho e de alguns laranjas.
Um exemplo de fraude constatado na auditoria foi a ação movida pelo ex-servidor Laércio Borges de Medina (falecido), pela qual sua esposa Maria Aparecida Medina recebeu R$ 3 mil, pagos em duas parcelas. Para quitar a ação, a prefeitura emitiu cheques que somam R$ 52 mil de indenização à viúva. Na investigação, descobriu-se que o procurador ficou com R$ 34 mil e que um cheque de R$ 3.460,00 foi depositado em conta particular do ex-prefeito. A viúva, que mora com três filhos num barraco cedido no terreno de uma escola, confirmou que só recebeu R$ 3 mil.


