Ex-prefeito é acusado de soltar bomba na prefeitura
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
O ex-prefeito de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), José Paulo Novaes (PDT), está sendo acusado de ter mandado soltar duas bombas num banheiro da prefeitura. Uma das bombas explodiu quinta-feira passada e a outra estava prevista para ser detonada anteontem, mas o caso foi descoberto antes pela polícia. A bomba que chegou a explodir não feriu ninguém nem estragou o banheiro, mas deixou os funcionários assustados.
A acusação contra Novaes foi feita pelo menor E.R.A., de 15 anos. Ele contou à polícia que foi procurado pelo ex-prefeito para para fazer um serviço. Segundo o menor, Novaes o pegou em casa e o levou até as proximidades da prefeitura para que ele soltasse a bomba no banheiro. Antes, o ex-prefeito ainda teria dado cigarro para que E.R.A. usasse como pavio e provocasse efeito retardado no estouro dos explosivos.
O depoimento do menor foi acompanhado pela mãe e por uma tia dele. Elas confirmaram que Novaes foi buscar o menino no dia em que a bomba explodiu na prefeitura. O menor disse que recebeu R$ 5,00 pelo serviço. O ex-prefeito deve ser chamado ainda esta semana para depor na delegacia. Um funcionário dele, José Vila Real Júnior, que também é acusado de planejar os estouros, já depôs e negou qualquer envolvimento com o caso.
Vila Real é o mesmo segurança que estava com Novaes quando ele sofreu um atentado, em junho de 95. O delegado de Goioerê, Osmar Dechiche, disse que os dois estão sendo indiciados pelos crimes de explosão de bombas e corrupção de menores. O delegado encaminhou a bomba intacta e os fragmentos da que estourou para análise do Instituto de Criminalística. Ele quer saber qual é o potencial dos explosivos, que são de um tipo vendido no comércio.
A Folha não conseguiu falar ontem com Novaes. A mulher dele, Ivone, disse que ele estava em Curitiba e deveria retornar hoje. Segundo ela, no entanto, a história contada à polícia não é verdadeira. O Paulo não é tão criança assim, ironizou.
Julgamento Edemílson de Souza Pereira, o Paraíba, o principal acusado pelo atentado contra o então prefeito de Goioerê, José Paulo Novaes (PDT), vai a novo julgamento no próximo dia 28. Ele é réu confesso e foi condenado, no primeiro julgamento, a 18 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. O júri, no entanto, foi anulado. A nova data foi definida esta semana.


