Uma operação coordenada pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) prendeu neste final de semana, em Praia Grande (litoral paulista), o ex-prefeito de Pérola (50 km a oeste de Umuarama) Vanderlei Cândido da Silva. Ele estava foragido desde 2002 e já recebeu condenação em 10 processos que investigavam atos de improbidade administrativa em seu mandato de 1997 a 2000, além de ações criminais. Existem ainda outros 10 processos judiciais em trâmite contra ele, além de 11 inquéritos policiais de crimes supostamente praticados pelo ex-prefeito.
Segundo oficiais da Cadeia Pública de Praia Grande, Silva foi preso na madrugada de sábado para domingo em um apartamento localizado próximo à praia, no bairro de Campo Forte, com um RG falso em nome de Sérgio Pereira da Silva. Preso em cela comum, o ex-prefeito seria encaminhado ainda ontem ao Centro de Detenção Provisória do município paulista, de onde deve seguir para Pérola ou Maringá. O documento teria sido utilizado para alugar o imóvel que ele habitava há cerca de seis meses.
De acordo com o representante do Ministério Público (MP) em Pérola, promotor Vilmar Antonio Fonseca, Silva teve a prisão preventiva decretada em fevereiro 2002, dois anos após sua cassação pela Câmara de Vereadores. Pouco antes, a partir de setembro de 1999, ele havia sido afastado do cargo três vezes, voltando sempre mediante liminares judiciais.
Desde então, conforme o promotor, já foram mais de 13 ações penais e 13 civis públicas, com pelo menos 10 condenações. ''Ao todo, as penas somam hoje 30 anos e três meses de reclusão'', afirmou Fonseca, conforme o qual o apoio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Curitiba, a partir de dezembro passado, foi decisivo para capturá-lo.
O promotor declarou que as condenações se referem a fraudes em licitação de compra dos mais diversos tipos de materiais à Prefeitura, de artigos para construção para produtos hospitalares. O ex-prefeito responde ainda por dispensa indevida de procedimento licitatório, bem como por apropriação de recursos públicos (peculato), falsidade ideológica e formação de quadrilha. Atualmente, ele está com os direitos políticos suspensos e com outros 33 procedimentos investigativos em aberto na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. ''O cartório civil nosso está fazendo o levantamento de quanto deve ser devolvido ao município e o levantamento de bens dele. Até agora, uma chácara vai a leilão'', disse.
Além de Silva, há outros quatro ex-secretários municipais condenados por improbridade administrativa cumprindo pena ou no Paraná ou em cidades do interior paulista, em regime aberto.
A Folha tentou ontem contato com parentes de Silva, mas ninguém foi localizado. O advogado citado pelo promotor como sendo o do ex-prefeito, da vizinha Cianorte, também não foi encontrado para tratar do assunto.

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