Ex-prefeito de Maringá lança ''livro defesa''
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quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - O ex-prefeito de Maringá, Said Ferreira, lançou anteontem à noite, o livro ''A ausência de fiscalização constrói os caminhos legais da corrupção'', para se defender e atacar promotoria, vereadores, ex-políticos e Tribunal de Contas. Com 136 páginas, metade da obra é, no entanto, dedicada a uma prestação de contas das duas gestões do ex-prefeito (1983 a 1988/1993 a 1996).
Aguardado como um lançamento ''bombástico'' nos meios políticos, o livro não provocou tantos efeitos devastadores. Críticas quanto à atuação do Tribunal de Contas e Câmara de Vereadores por falta de fiscalização, já eram conhecidas pela comunidade desde 2000, quando os desvios na Prefeitura de Maringá começaram a ser investigados pelos Ministérios Público Estadual e Federal. Said Ferreira negou entrevistas, mesmo durante a solenidade de lançamento e afirmou que só vai se pronunciar sobre o livro quando voltar de uma viagem de 10 dias.
Na sessão de ontem, os vereadores dedicaram parte do tempo a críticas pelo livro. O presidente da Casa, João Alves Correa (PMDB) disse que não entendeu a postura do ex-prefeito que se colocou como uma pessoa favorável às investigações na prefeitura, mas condenou a atuação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
Segundo o vereador, a Câmara não localizou o protocolo de uma Comissão de Investigação que Said Ferreira afirma no livro ter pedido em 1999 para que os vereadores fiscalizassem as contas do ex-prefeito Jairo Gianoto, que junto com o ex-secretário de Fazenda, Luiz Antonio Paolicchi, foram os principais protagonistas dos desvios estimados em R$ 100 milhões na Prefeitura de Maringá.
No livro, o ex-prefeito mostra uma representação contra o promotor José Aparecido da Cruz, titular da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e autor das quatro ações movidas contra Said Ferreira, uma delas pelo desvio de R$ 32 milhões. Conforme a Procuradoria Geral da Justiça, a representação foi arquivada em outubro do ano passado porque não houve ''falta funcional'' do promotor.
Para o promotor Cruz, é normal a representação de políticos na Procuradoria contra a pessoa dele. Segundo Cruz, desde 2000 a promotoria protocolou 77 ações civis e cerca de 40 penais envolvendo administradores públicos de Maringá e municípios da comarca. Segundo Cruz, o prefeito é responsável pela ordem financeira da prefeitura e delega competência a pessoas que confia. ''Nenhum promotor que tenha em mãos dezenas de cheques sem justificativa de despesas e com uma declaração como a feita por Paolicchi de que fazia tudo a mando do prefeito, vai deixar de protocolar as ações devidas'', disse.


