Ex-prefeito de Maringá é preso
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sábado, 04 de fevereiro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (1997/2000), foi preso ontem por formação de quadrilha, desvio de dinheiro público e sonegação fiscal. O juiz substituto da Vara Federal Criminal de Maringá, Raphael Cazelli de Almeida Carvalho, expediu os mandados de prisão preventiva de Gianoto, e do ex-secretário Municipal de Fazenda Luiz Antonio Paolicchi em uma ação penal movida pelo Ministério Público Federal (MPF). O ex-prefeito foi condenado a 14 anos, e Paolicchi, a 12 anos e meio, de reclusão em regime fechado. Outras quatro pessoas também foram condenadas mas não deverão ser presas preventivamente.
''Os réus Luiz Antonio Paolicchi, Rosimeire Castelhano Barbosa (ex-tesoureira do município) e Jorge Aparecido Sossai (ex-diretor Financeiro do município) passaram a emitir cheques das contas-correntes de titularidade do município de Maringá, repassando os valores arrecadados pelo município para o acusado Jairo Morais Gianoto, sua esposa Neuza Aparecida Duarte Gianoto (ex-presidente do Provopar-Maringá) ou para terceiros por ele indicados para pagamento de suas despesas pessoais. Mediante essas condutas houve o desvio de recursos do Município de Maringá avaliados em R$ 1.885.945,60 em benefício do réu Jairo Morais Gianoto e a supressão de tributos federais no montante de R$ 2.918.969,46. Além disso, houve a supressão de tributos decorrentes da venda de uma aeronave pelo réu Luiz Antonio Paolicchi'', diz parte do despacho assinado por Carvalho.
Segundo o agente federal responsável pela Comunicação Social da Delegacia de Maringá, Celso Secolo, o mandado de prisão de Gianoto foi cumprido por volta das 15 horas. O ex-prefeito teria sido preso em uma clínica ou hospital, em uma operação que envolveu cerca de 40 agentes federais. Eles estaria fazendo exames médicos. Na semana passada, Gianoto sofreu um acidente de carro. ''No momento da prisão o juiz foi comunicado e ele (Gianoto) está à disposição do juiz'', disse Secolo. O ex-prefeito está na carceragem da PF.
Conforme Secolo, equipes da PF ainda estão procurando Paolicchi. ''O advogado dele já entrou em contato dizendo que irá apresentá-lo tão logo o encontre'', afirmou.
Atualmente, Paolicchi está em liberdade condicional, após cumprir quatro anos de prisão. Em 2000, ele foi condenado a uma pena de 11 anos e oito meses de reclusão por crimes contra o Patrimônio Público. Paolicchi responde a pelo menos oito ações pelo desvio direto de R$ 84,3 milhões dos cofres públicos municipais. ''Ele vai se apresentar na segunda-feira à tarde ou terça-feira de manhã. Ele está na região e só vai voltar domingo à noite'', explicou o advogado Moisés Zanardi. Conforme o advogado, o fato de Paolicchi ter sofrido nova condenação, não revoga automaticamente a liberdade provisória concedida. ''Vamos entrar com habeas-corpus pleiteando para que ele possa recorrer (da condenação) em liberdade. Ele já ficou preso quatro anos no outro processo'', argumentou.
O advogado criminal de Gianoto, Roosevelt Maurício Pereira, estava viajando ontem e não foi localizado. Os advogados cíveis do ex-prefeito, que acompanharam a prisão, Odair Moreschi e Antonio Manzano Neto, não atenderam a reportagem. De acordo com informações do escritório de Manzano, eles estariam elaborando uma petição e não poderiam conceder entrevista. Conforme a Folha apurou, ontem à noite os advogados de Gianoto estavam tentando transferir o ex-prefeito da carceragem da PF para um hospital, devido os ferimentos sofridos pelo seu cliente no acidente.
Rosimeire Castelhano Barbosa e Jorge Aparecido Sossai foram condenados a nove anos de reclusão em regime fechado. A esposa do ex-prefeito, Neusa Gianoto, foi condenada a sete anos de reclusão em regime semi-aberto. Jorge Sanches Ouverney também deverá cumprir cinco anos de reclusão em regime semi-aberto.
O juiz também expediu mandados de sequestro dos bens adquiridos com o desvio de verbas e a perda de cargos públicos eventualmente ocupado pelos réus. Os réus também foram inabilitados, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou função pública.


