O ex-prefeito de Foz do Iguaçu Harry Daijó (PPB) prestou depoimento anteontem ao Ministério Público Estadual (MPE) sobre as acusações de cometer irregularidades em sua administração (1997/2000). O pepebista apresentou sua versão sobre os gastos de R$ 6.436.214,04 com a contratação de 1.462 pessoas através de recibos de pagamentos de serviços (RPS).
O conteúdo do depoimento, entretanto, não foi divulgado pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Meio Ambiente e do Consumidor, Luiz Francisco Barleta Marchioratto. Responsável pela investigação nas contas na gestão passada, o promotor apenas comentou que pretende concluir os trabalhos neste mês. O único a falar sobre o depoimento foi o advogado de Daijó, ex-procurador do município Ataliba Ayres de Aguirra Filho. Ele considerou as explicações de seu cliente satisfatórias.
A lei determina que uma pessoa pode receber através de RPS somente por três meses. Mas, segundo o prefeito Sâmis da Silva (PMDB), várias pessoas foram contratadas por meio de recibos durante os quatro anos da gestão anterior. Parte das contratações é de pessoas ligadas aos secretários e diretores.
Em entrevista à Folha, no mês passado, Daijó negou as contratações de parentes e disse que algumas pessoas foram pagas por meio da RPS para suprir as necessidades de funcionários da prefeitura.
A contratação usando recibos de pagamento de serviço foi uma das várias irregularidades detectadas pela auditoria do município, no início de março. Na época, o prefeito denunciou um suposto esquema de desvios na administração passada e que teria causado um rombo de R$ 8 milhões. Daijó nega todas as acusações.

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