Curitiba - O departamento jurídico da Prefeitura de Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), protocolou ontem no Fórum local uma denúncia contra o ex-prefeito Antônio Wandscheer (PMDB) por ''crimes de peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha'', em decorrência de indícios de irregularidades na gestão anterior (2000-2008). O promotor do município, Paulo Conforto, também recebeu a denúncia einiciou as investigações ontem mesmo.
Segundo a notícia-crime, Wandscheer e outros quatro servidores municipais, estariam envolvidos em um esquema fraudulento para aquisição de saibro, transporte e compactação do material, utilizado em boa parte das ruas da cidade. A suspeita é que o material comprado com verba pública, cerca de R$ 1 milhão, foi utilizado em obras da empresa de empreendimentos imobiliários de propriedade do ex-prefeito.
Segundo a denúncia, os fatos teriam ocorrido no final do mandato do ex-prefeito. A notícia-crime relata que a administração teria adquirido aproximadamente 10 mil metros cúbicos de saibro para a manutenção das vias públicas. Entretanto, esse material não teria sido aplicado nas 20 ruas em que as obras deveriam ser feitas. A maior parte das compras teria sido realizada em em agosto, setembro, outubro e novembro do ano passado.
Documentos indicam inclusive que parte do saibro teria sido aplicado em vias já asfaltadas. A reportagem da FOLHA foi até a rua Cacatuá, no bairro Gralha Azul. As obras de asfalto nessa via, terminaram em junho de 2008, porém, no mês seguinte, contraditoriamente, 120 metros cúbicos de saibro foram aplicados ali.
''Como vai colocar saibro em uma rua já asfaltada?'', disse João Munaro, atual secretário municipal de Obras que constatou as supostas irregularidades. ''Há fortes indícios de crimes contra o patrimônio público. Há contratos ainda suspeitas de superfaturamento'', afirmou Munaro.
Segundo Munaro, se todo o saibro adquirido tivesse sido aplicado, muitas ruas da cidade não estariam mal conservadas. A reclamação de moradores no início dessa gestão em relação a serviços de manutenção viária chamou a atenção do secretário.
''A documentação mostrava que o saibro estava colocado nas vias em que esses moradores estavam nos cobrando, mas depois analisamos criteriosamente e de fato, não foi entregue o saibro nas vias relacionadas nas medições. Tem ruas que não há sequer patrolamento já há quatro anos'', denunciou.
Andre Diadio, morador da rua Rio Roseira que também aparece na lista em que o saibro deveria ser aplicado mostrou-se contrariado. ''Aqui na nossa rua não recebemos saibro nem patrola há mais de um ano. A rua também não tem rede de esgoto e com a escola na esquina, é o mínimo que deveria ter'', afirmou o morador.
O ex-prefeito Antonio Wandscheer foi procurado pela reportagem, mas não atendeu as seguidas ligações e não retornou até o final o fechamento da edição.

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