Ex-prefeito cumpre pena alternativa em Grandes Rios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Uma situação rara para os padrões políticos brasileiros tem alterado a rotina de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana) desde o início do mês: condenado em todas as instâncias por desvio de verba pública, o ex-prefeito Gilberto Antônio Ricieri, cumpre pena de prestação de serviços à comunidade durante uma hora por dia entre 7 e 8 da manhã no Asilo São Vicente de Paulo. A sentença condenatória, emitida em 2002 pela juíza Marília Mitie Yoshida, sustenta que Ricieri utilizou recursos municipais, durante o período em que foi prefeito, de 1993 a 1996, para pagamento de salários de Abelardo Camargo, um funcionário particular. Além dos serviços à comunidade, pelo período de 2 anos e 2 meses, o ex-prefeito foi condenado à perda dos direitos políticos por 5 anos, e multado em R$ 7.216,30.
A Folha marcou, por telefone, uma entrevista com o ex-prefeito, mas quando chegou a Grandes Rios ele não estava. A atual prefeita, Eliane Ricieri (PMDB), esposa de Gilberto Ricieri, recebeu a reportagem e confirmou que ele não daria a entrevista. Segundo ela, o marido é presidente da Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI), entidade assistencial mantida com recursos públicos.
Eliane Ricieri nega que o marido desempenhe funções administrativas na Prefeitura. ''Ele vem aqui como qualquer cidadão, meu gabinete é um local público. Às vezes senta aqui (apontando para a cadeira principal do gabinete), às vezes fica de pé. Ele é meu marido e vem aqui como qualquer outra pessoa. Ele (Gilberto) chega a ficar o dia inteiro aqui comigo, mas não manda na prefeitura'', garante.
O advogado do ex-prefeito, José Augusto Ribas Vedan, informou que, apesar da sentença ter transitado em julgado em outubro de 2005, entrou com recurso extraordinário pedindo a revisão da sentença no Tribunal de Justiça (TJ). De acordo com Vedan, que é também procurador jurídico da Câmara Municipal, depois que a esposa de Ricieri assumiu a prefeitura foram achados documentos que confirmariam o vínculo empregatício de Abelardo Camargo o funcionário da fazenda com a prefeitura. ''A ficha funcional tinha sido escondida por motivos políticos e mostra que ele era funcionário municipal'', argumenta Vedan.


