Ex-prefeito admite rombo mas acusa Luis Paolicchi
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-prefeito de Maringá, Said Ferreira (sem partido), afirmou ontem que o desvio na sua última administração deve ser bem superior aos R$ 4,2 milhões detectados até agora. Ele conversou com a Folha ao deixar a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, ontem à tarde, onde disse ter complementado informações sobre o processo de desvio de recursos dos cofres do município. Os auditores vão encontrar irregularidades principalmente no final da administração, quando Paolicchi assumiu a Fazenda, completou.
Said lembrou que durante a primeira administração, de 1983 a 1988, conseguia com recursos próprios manter obras em andamento. Na segunda administração, fez investimentos até o último ano, quando Paolicchi assumiu a secretaria. Na época sentíamos dificuldades em investir, achei que havia irregularidades e pedi investigação, lembra. Junto com a Polícia Federal, o ex-prefeito disse ter descoberto dois aviões de Paolicchi em nome de terceiros. Na sequência, abriu uma auditoria interna, que não teria sido concluída por interferência de Paolicchi.
Said voltou a lembrar que a única ligação pessoal com o ex-secretário é um empréstimo de R$ 45 mil que Paolicchi fez ao filho dele, Alexandre. Ontem, ele se prontificou a pagar o débito. Se a Justiça entender que o dinheiro deve ser devolvido à prefeitura, faremos isso. Said atacou Paolicchi, chamando-o de louco mental. A loucura mental se manifesta quando a pessoa não sabe distinguir o certo do errado, o bem do mal.
O promotor José Aparecido da Cruz não quis comentar o encontro com o ex-prefeito nem a conversa com o doleiro Alberto Youssef, que também esteve ontem em Maringá. Ele confirmou apenas que o doleiro passou alguns documentos para o MP sem dizer do que se tratava.
A Folha apurou também que policiais civis foram acionados para citar o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem-partido), que deve comparecer ainda nesta semana ao MP. Oficiais de Justiça não conseguiram localizar Gianoto durante alguns dias. Ele estava, segundo um policial que participou da citação, na casa onde mora com a mulher, Neusa, que também foi convocada para depor.


