O prefeito de Borrazópolis (84 km ao sul de Apucarana), Padre Osvaldo Almeida (PT), informou ontem que entrega na próxima semana a representantes do Ministério Público (MP) da vizinha Faxinal uma série de pedidos de providência em que acusa a ex-chefe do Executivo Maria de Lourdes Pereira (PSDB) de desvios de verbas públicas em processos licitatórios e convênios com o Estado e a União. Conhecida na cidade como Malu, a ex-prefeita atribui as declarações do adversário à rixa política: ''Ele é petista roxo, por isso está falando essas coisas de mim''.
De acordo com o ex-prefeito, os documentos a serem levados ao MP são resultado de uma auditoria nas contas municipais feitas por uma equipe de economistas durante dois meses e meio na atual gestão, referente aos dois últimos mandatos. Segundo Almeida, o que mais chama a atenção são três convênios firmados para obras em um fundo de vale na periferia da cidade, as quais, afirma o padre, não teriam sido feitas.
''Um desses convênios, firmado em 1998 com a Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente), liberou R$ 250 mil sem que nada fosse feito. Nesse caso, o MP já está apurando'', disse Almeida, para complementar: ''Mas um convênio de mais de R$ 51 mil também com a Sema, em 2002, para um parque municipal, e um de R$ 330 mil com o Ministério da Integração Nacional para o fundo de vale também não resultaram em nada neste último caso, para não ser radical, dá para dizer que há apenas uma churrasqueira inacabada no meio do matagal'', ilustrou.
Pelos cálculos de Almeida, ''entre 30 e 40'' procedimentos judiciais devem ser ingressados, entre pedidos de providências e ações propostas pela própria Procuradoria do Município. ''Fizemos o levantamento do que veio de recursos e o que não foi feito, mas há dezenas de casos de obras inacabadas'', afirmou, lembrando ainda que a suposta ausência de licitação para a compra de combustíveis, ano passado, também será denunciada. ''No ano eleitoral em que a então prefeita apoiou seu ex-marido na sucessão dela, foram adquiridos R$ 893.674,13 em combustíveis sem licitar'', acusou.
Dizendo ter pego a administração ''em uma crise completa'', Almeida ainda relacionou que a Prefeitura enfrenta atualmente 596 ações trabalhistas e cerca de R$ 4,5 milhões em salários atrasados. ''Isso de várias administrações'', ressalvou.
Malu rebateu as declarações do petista e as atribuiu à rivalidade partidária entre eles. Mesmo assim, a ex-prefeita negou que tenha recebido integralmente os valores dos convênios, mas admitiu ter usado parte deles para quitar folhas de pagamento em atraso. Contudo, ela não especificou quanto foi gasto nesse caso. ''Tivemos sequestro de bens do Fundo de Participação dos Municípios, por isso foi necessária a medida'', justificou. Sobre a acusação de obras inacabadas, mas que teriam recebido verbas, disse que a explicação está sendo dada ao Tribunal de Contas (TC) do Estado, que reprovou as contas de 2001. Já a respeito dos gastos com combustíveis citados por Almeida, resumiu: ''Não estou sabendo disso''.

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